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De acordo com Sampaio, a Autoridade Portuária já está preparando a companhia para “este momento próximo”.
O secretário executivo do Ministério da Infraestrutura, Marcelo Sampaio, anunciou, nesta segunda-feira (20), a possibilidade de que a Companhia Docas do Rio de Janeiro (CDRJ) também seja desestatizada. Segundo ele, este é um caminho que vem sendo construído pelo setor portuário ao longo dos anos. Atualmente está prevista a desestatização da Companhia Docas do Espírito Santo (Codesa) e do Santos Port Authority (SPA). A afirmação do secretário foi feita durante evento online em comemoração aos 110 anos de existência do Porto do Rio de Janeiro.
Sampaio afirmou que a companhia, sob a atual direção do Almirante Francisco Antonio de Magalhães Laranjeiras, já vem fazendo um trabalho de preparar a empresa “para este momento próximo”. Ele disse que a desestatização da Codesa, que deve acontecer próximo ano, irá servir para testar o modelo. De acordo como ele, esse foi o motivo pelo qual o governo escolheu uma companhia menor e mais simples para observar como o modelo se comporta. “Em todos os setores os modelos de concessões passam por amadurecimento”, frisou.
O diretor do Departamento de Navegação e Hidrovias da Secretaria Nacional de Portos, Dino Antunes, que também esteve presente ao evento, revelou que a discussão sobre a desestatização dos ativos portuários vem acontecendo há muito anos no país. Porém, segundo ele, existem ainda vários desafios envolvidos nesse processo que exigem conversa constante com todos os que fazem parte da comunidade portuária. Ele destacou que na secretaria vem sendo pensado o modelo de desestatização que seja mais eficiente para o porto, mais competitivo e que, assim, gere mais postos de trabalho.
Também presente à videoconferência, o presidente no Sindicato dos Estivadores do Rio de Janeiro (Setem-RJ), Ernani Duarte, criticou o projeto do governo de desestatização do setor portuário. Segundo ele, a boa gestão que vem sendo realizada tanto na CDRJ, como no Porto de Santos e Vitória, e deveria servir como comprovação de que basta colocar pessoas certas no comando das companhias e estabelecer uma boa política administrativa para que não seja necessária a desestatização. Além disso, ele entende que o importante é reavaliar alguns aspectos, como o marco regulatório, para possibilitar maior competitividade e uma concorrência saudável entre os portos.
“Não sei se entendemos bem sobre o modelo de privatização que vem sendo colocado pelo governo. Parece que é um modelo diferente de grande parte do mundo. Então eu acho que a gente precisa discutir como evitar que uma carga perpasse o Rio e vá para um concorrente; por que há uma competição desigual entre os portos. Temos que ver as causas dos problemas e ter uma política de governo que os resolva”, disse Duarte.
Sampaio garantiu que o governo irá ouvir a sociedade e, principalmente o porto, antes de decidir sobre qual modelo aplicar. “Nenhuma decisão vai sair de Brasília sem ouvir os senhores que conhecem a realidade do porto e os trabalhadores, que colocam a mão na massa”, ressaltou.
Fonte: Revista Portos e Navios