
O conceito busca integrar, por meio da tecnologia, informações entre o navio e órgãos em terra, a fim de tornar a navegação mais segura e eficiente.
A Marinha do Brasil (MB) começou a implantar o conceito e-Navigation disseminado pela Organização Marítima Internacional (IMO) em todo o mundo, para aprimorar o binômio porto-navio. A ideia central do conceito é integrar e conectar informações sobre navegação, com o intuito de torná-la mais segura, eficiente e sustentável. A referência para o e-Navigation são os aeroportos internacionais. A sistemática do porto-navio irá se aproximar do que acontece atualmente com os aviões-aeroportos, sobretudo quanto à troca de informações para a segurança da navegação.
Com base nesse conceito será criada uma plataforma que irá demandar a participação de diversos atores e órgãos envolvidos com portos e navios. De acordo com a marinha, o sistema terá de um lado informações do navio e de outro dos diversos stakeholders, como a Autoridade Marítima, Portuária, armadores, autoridades locais, com seus produtos e serviços. Assim, a plataforma irá conter informações georeferenciadas dos navios e informações ligadas à navegação, meteorologia, alertas, informações portuárias, de fiscalização sanitária, avisos aos navegantes, atualização de cartas náuticas. Também irá conter dados de busca e salvamento, dos agentes marítimos, entre outras informações agrupadas em 16 MS (Maritime Services).
Os sistemas dos navios e os demais componentes da plataforma de informações deverão utilizar um protocolo único para a troca de dados, por meio de um padrão denominado S-100. Os órgãos e entidades envolvidos serão fornecedores de serviços ligados aos seus setores. A Receita Federal do Brasil (RFB), por exemplo, poderá receber informações da carga transportada e facilitar a fiscalização. Já a Polícia Federal (PF) terá acesso a todas as informações da tripulação. A MB informou que a Autoridade Portuária poderá passar também todas as informações do local de atracação, serviços de apoio ao navio, praticagem e uso dos rebocadores, por exemplo.
“Estamos estudando, na nossa estratégia, como serão ofertados, por exemplo, os serviços que já disponibilizamos para a comunidade marítima, tais como a atualização das cartas náuticas, dos roteiros, da sinalização náutica, da meteorologia marinha, o SAR”, disse a MB. Um dos objetivos do sistema também, segundo a autoridade marítima, é que haja um incremento na eficiência dos órgãos envolvidos, bem como do projeto do porto sem papel, que já existe.
Os portos também precisarão ser preparados como, por exemplo, com a implantação dos VTS (Serviços de Tráfego de Embarcações). Tudo isso será importante também, segundo a MB, para a participação da base industrial brasileira no fornecimento de soluções tecnológicas de hardware e software para colocar todas essas ideias e possibilidades em prática, com custos adequados.
A marinha destacou que o principal benefício do e-Navigation é o incremento na segurança da navegação que deve impactar, por sua vez, diversas outras áreas “como um efeito dominó”. Segundo a MP, o conceito da plataforma pode reduzir o tempo de espera de navios nos portos e otimizar o consumo de combustível dos navios reduzindo-se a emissão de gases na atmosfera. Além disso, tende a aumentar a percepção de segurança da embarcação para os comandantes, possibilitando a redução dos incidentes de navegação e, principalmente, reduzir a probabilidade de grandes eventos de poluição hídrica nos mares e rios.
Atualmente a MP está na fase de divulgação dessa estratégia entre os órgãos interessados e Autoridades Portuária para que, “em breve”, a plataforma seja de fato implementada. “A previsão de consolidação da implantação do conceito, a nível nacional, vai depender da importância que a indústria marítima dará ao tema”, frisou. A marinha vem divulgando também o conceito a partir da realização de videoconferências com segmentos do setor marítimo e portuário. Segundo a autoridade marítima, todos esses atores precisam começar a pensar no tema e, ao mesmo tempo, desenvolver sua própria estratégia para o atendimento das necessidades específicas de cada setor.
Fonte: Revista Portos e Navios