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Clippings - 19/05/10

Marinha mercante estratégica

O presidente da Transpetro, Sergio Machado, não se cansa de repetir suas teses. Afirma que, como potência emergente, o Brasil não pode transportar apenas 1% de seu comércio e pagar US$ 16 bilhões anuais em fretes para estrangeiros – o que tende a subir, com aumento natural do comércio. Frisa que os gigantes que controlam metade do comércio mundial são donos de 72% da frota – o que deveria fazer a Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República pensar na questão.

Com 7,5 mil km de costas – que aumenta, se for somado o acesso hidroviário até Manaus – o Brasil dispõe de amplas condições de explorar cabotagem e longo curso.

– Como é que se pode ter 61% da matriz de transporte baseada no caminhão? -pergunta Machado, que cita que o custo logístico é de 14% no Brasil e de 8% nos Estados Unidos; assim, quando um americano vende soja, fica com mais riqueza e o brasileiro vê o ganho se diluir na ineficiência de transportes.

Embora entusiasta da Petrobras, que com o Pré-Sal deverá duplicar a produção de petróleo de hoje a 2020, chegando a quase 6 milhões de barris por dia, lembra Machado que o país está preparado para enfrentar outros desafios: O Brasil tem 14% da água doce do mundo. Um dia, isso poderá valer mais do que platina.

Hoje com 52 navios – que somam 2,6 milhões de toneladas de capacidade – a Transpetro deverá contar com 108 até 2014. Até 2013, a Transpetro está investindo US$ 7,7 bilhões, dos quais US$ 4 bilhões da Petrobras e o restante da subsidiária. Além de navios, a Transpetro tem 47 terminais, conta com 11 mil empregados e opera, mensalmente, com 413 escalas de navios. A empresa serve à Petrobras que, além disso, está contratando mais 19 navios – que podem chegar a 39 – pelo chamado Sistema EBN-Empresa Brasileira de Navegação. Com isso, a Petrobras fará contratos de longo prazo para usar os navios e caberá a particulares encomendar as embarcações junto a estaleiros brasileiros. Nesse caso, a Petrobras se livra de contrato em moeda forte e pagará aos donos dos navios em reais.

A meta atual da Transpetro é fazer 100% da cabotagem com frota própria e, no longo curso, atingir 50%.