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Conttmaf alega que companhia chega a pagar 40% a menos para algumas funções exercidas a bordo. Empresa afirmou que vem empenhando esforços para avançar com ACT e que se mantém aberta ao diálogo
A Transpetro vem negociando com seus marítimos desde novembro de 2022. Em sua terceira proposta de acordo coletivo de trabalho (ACT), a companhia propôs reajustar os salários pelo INPC e instituir um plano de cargos e salários. Porém, representantes sindicais afirmam que, apesar de ser uma reivindicação histórica dos marítimos, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor não resolveria a ‘defasagem salarial existente’ e a proposta alcançaria apenas parte dos empregados marítimos.
Segundo a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Transportes Aquaviários e Aéreos, na Pesca e nos Portos (Conttmaf), nos últimos anos, a gestão da Transpetro tem reduzido drasticamente o número de navios operados, resultando em um grande número de marítimos pedindo demissão da estatal para buscar emprego em outras empresas.
De acordo com Carlos Müller, presidente da Conttmaf, os marítimos da Transpetro buscam o alinhamento da empresa com o que é praticado no setor marítimo em termos de salários, benefícios, dobras e folgas não gozadas. “A Transpetro chega a pagar 40% a menos para algumas funções exercidas a bordo. Atualmente, entre cerca de uma centena de armadores que operam navios em águas brasileiras, a Transpetro possui os menores valores de salários para os oficiais”, afirmou.
Para o presidente da confederação, a atual gestão da companhia é a “pior de todos os tempos”, tanto na relação com os sindicatos como na gestão empresarial. Müller disse que será a primeira vez que um presidente e seus diretores completarão o período de gestão da Transpetro sem receber as entidades sindicais marítimas para uma reunião.
“Não identificamos empatia ou sensibilidade nesta diretoria com os problemas dos trabalhadores do mar. Como resultados lamentáveis da gestão para o fracasso da companhia, ao longo dos últimos quatro anos, podemos citar a maior redução que já ocorreu no número de navios da frota desde a criação da empresa, a maior redução no número de empregados marítimos e as piores taxas de evasão espontânea”, disse Müller.
A proposta de ACT fica disponível para consulta até as 12 horas desta quinta-feira, (2). Após esse prazo, a Conttmaf informará à Transpetro o resultado do posicionamento coletivo e aguardará o posicionamento da empresa. Entretanto, Müller afirmou que, pelo ânimo dos tripulantes que têm procurado os sindicatos, a resposta não parece favorável.
“Se a Transpetro não demonstrar interesse em avançar nas negociações, restará como opção aos marítimos adotar uma mobilização mais efetiva com o objetivo de motivá-los a oferecerem condições justas e compatíveis com o que é praticado pelas demais empresas do setor”, comentou o presidente.
Para a Portos e Navios, a Transpetro afirmou que vem empenhando esforços para o avanço do processo de negociação do ACT. “As reivindicações da categoria têm sido a base para as propostas, o que reflete o empenho da companhia em chegar a um entendimento com as partes. A Transpetro se mantém aberta ao diálogo para conclusão do ACT”, destacou a empresa.
Fonte: Revista Portos e Navios