Problemas no contrato de Sépia colocam em risco participação da empresa em novos negócios com a Petrobras

A Petrobras avalia a possibilidade de bloquear a McDermott, impedindo o grupo de disputar suas licitações e assinar novos contratos por até três anos. A decisão, que já está sendo avaliada pela alta direção da petroleira, pode vir a resultar no relançamento da concorrência para a campanha de substituição de parte dos risers flexíveis do campo de Tupi por linhas rígidas, na qual a McDermott foi selecionada com o melhor preço, mas que até hoje permanece em aberto.
A medida está relacionada aos problemas enfrentados pela McDermott no contrato do SURF de Sépia, assinado em maio de 2019, que têm gerado impactos e prejuízos ao projeto e à Petrobras. Esta, por sua vez, já teria alertado à McDermott que avalia a possibilidade de efetuar o bloqueio. O PetróleoHoje procurou a McDermott, mas a empresa afirmou desconhecer a questão.
A última grande empresa fornecedora bloqueada pela petroleira brasileira foi a Modec, impedida de participar de suas licitações por 13 meses.
Voltado ao FPSO Carioca, o contrato do SURF de Sépia continua em fase de execução. A McDermott ainda não conseguiu contornar os problemas decorrentes do revestimento fornecido pela Cladtek, também enfrentados pela TechnipFMC, no projeto Mero 1, e pela Saipem, em Búzios 5.
Os poços interligados ao FPSO Carioca, instalado no campo de Sépia, operam com dutos flexíveis, ao invés de rígidos como era previsto originalmente pela Petrobras. Passados sete meses do início da operação do projeto, foram interligados quatro poços, sendo três produtores e um injetor, o que assegura uma produção de 109 mil bpd ante a capacidade instalada da unidade de 180 mil bpd.
A interligação das linhas flexíveis acabou sendo realizada com barcos da frota da Petrobras. O tempo de vida útil das linhas flexíveis é consideravelmente menor que o das linhas rígidas.
Logo após a assinatura do contrato, Petrobras e McDermott tiveram as primeiras divergências. A fornecedora tentou por duas vezes negociar a troca do barco de lançamento a ser utilizado na campanha, mas a estatal vetou a alteração.
A McDermott ganhou a licitação, indicando que faria a campanha com o barco de lançamento North Ocean 105, pelo método reel-lay. A tentativa do grupo visava emplacar o Amazon, barco que utiliza o sistema j-lay.
Tupi
Diante da ameaça do bloqueio e da demora pela assinatura do contrato, cresce a expectativa em torno do possível rebid para substituição de parte dos risers flexíveis do campo de Tupi por linhas rígidas. O negócio entre a Petrobras e McDermott segue em aberto desde 2021, sem que o contrato tenha sido assinado.
As propostas foram abertas há dez meses, em maio do ano passado. Em setembro de 2021, após meses de negociações, Petrobras e McDermott acordaram o preço de cerca de US$ 800 milhões para o negócio, mas o fechamento do contrato acabou sendo atrapalhado pelas dificuldades do projeto de Sépia.
A campanha de Tupi é voltada a troca de 11 dutos flexíveis, o que demandará cerca de 98 km de novas linhas.
Estruturado sob o modelo de carta-convite, o bid foi lançado em dezembro de 2020. A TechnipFMC apresentou, na ocasião, o segundo melhor preço da licitação.
Fonte: Brasil Energia