
A McDermott ficará responsável pela campanha de substituição de parte dos risers flexíveis do campo de Tupi por linhas rígidas. Após meses de negociações, a empresa e a Petrobras acertaram acordo para contratação do serviço, após o grupo apresentar o menor preço na licitação da petroleira.
Oficialmente, as duas empresas não confirmam a conclusão do negócio, mas fontes envolvidas asseguram que as negociações já foram finalizadas, dependendo apenas de acertos finais para assinatura do contrato. Depois de três meses de negociações, o valor será fechado em torno de US$ 800 milhões.
A campanha envolverá a troca de 11 dutos flexíveis de Tupi, o que demandará cerca de 98 km de novas linhas. Regido sob o modelo de carta-convite, o bid foi lançado no final de dezembro, com entrega de propostas marcada, inicialmente, para meados de março, prazo que acabou sendo adiado para maio.
O nome da McDermott vinha sendo cogitado como vencedor há algum tempo, sendo que no início de agosto surgiram rumores de que a Petrobras teria convocado a TechnipFMC, segunda colocada no bid, para negociar na tentativa de assegurar preços ainda mais baixos. A iniciativa não surtiu efeito e a petroleira retomou às negociações com a primeira colocada.
Estruturado sob o modelo de EPC, o contrato incluirá o fornecimento das linhas rígidas, boias de flutuação, conectores barco de lançamento e todo o serviço de execução da campanha. A atividade na locação está programada para ser iniciada entre o fim de 2023 e o início de 2024.
O contrato marca a primeira iniciativa da Petrobras para a substituição de parte das linhas do pré-sal por conta de desgaste. A operação de Tupi promete ser a primeira de uma leva, tendo em vista os problemas de corrosão por CO2 detectados nas linhas flexíveis de projetos da petroleira no pré-sal.
A operação no campo de Tupi envolverá linhas de mais de uma unidade de produção. A campanha será direcionada a risers de FPSOs próprios e afretados.
Os primeiros sinais de corrosão nas linhas flexíveis dos projetos do cluster do pré-sal foram detectados pela Petrobras por volta de 2016. Na ocasião, a petroleira, junto com a então Technip, empresa fornecedora dos risers, realizou mapeamento minucioso para avaliar as condições técnicas de todas as linhas instaladas. Após o trabalho, as duas companhias executaram a troca de algumas linhas flexíveis danificadas por risers flexíveis novos.
Os problemas foram ocasionados por um fenômeno conhecido como corrosão por tensão de CO2 (stress-corrosion cracking by CO2). A maior parte das avarias era encontrada no material das armaduras de tração.
Desde então, são realizadas inspeções sistemáticas nas linhas flexíveis do pré-sal. No início do desenvolvimento dos primeiros projetos do cluster, a Petrobras privilegiou a utilização de linhas flexíveis, em detrimentos dos risers rígidos.
O último problema com riser flexível do pré-sal ocorreu no início de 2020, quando a linha de injeção de gás conectada ao FPSO Cidade de Angra dos Reis, no campo de Lula, se rompeu.
Com o serviço de Tupi, a McDermott ficará com dois grandes contratos com a Petrobras. NO momento, o grupo executa o contrato do Surf do FPSO Carioca, recém-instalado no campo de Sépia, na Bacia de Santos.
Fonte: Revista Brasil Energia