O Soros Fund Management, fundo do bilionário George Soros, vendeu no segundo trimestre todas as ações da Petrobras que possuía, após os papéis da estatal se desvalorizarem em antecipação à oferta
O fundo de hedge, que administra US$ 25 bilhões e tem sede em Nova York, vendeu 9,1 milhões de American Depositary Receipts (ADRs) que representam ações ordinárias da Petrobras e 5,88 milhões de ADRs que correspondem a papéis preferenciais, segundo documento enviado anteontem (16) à SEC, a comissão de valores mobiliários dos Estados Unidos.
Em 31 de março, as ações ordinárias valiam US$ 405 milhões e as preferenciais, US$ 233 milhões.
Durante o segundo trimestre, as preferenciais da Petrobras perderam 24% por conta de especulações de que a oferta, esperada para setembro, poderia diluir o lucro da companhia.
A estatal precisa levantar capital para financiar um plano de investimento que prevê o gasto de até US$ 224 bilhões até 2014.
Na semana passada, o UBS foi o primeiro banco a recomendar a venda de ações da Petrobras, dizendo que o governo pode pedir um preço maior que o esperado pelas reservas de petróleo que pretende trocar por ações.
Michael Vachon, porta-voz de Soros, não quis comentar o assunto quando contatado por e-mail ontem (17).
Perfil
George Soros ficou conhecido na década de 90 pelas suas atividades enquanto especulador, e chegou a ganhar US$ 1 bilhão em um único dia apostando contra o Banco Central da Inglaterra (BoE, na sigla em inglês).
Nos Estados Unidos, ficou famoso por ter doado montantes elevados para tentar que o presidente George W. Bush não fosse reeleito.
Ele anunciou, em dezembro de 2009, que vai investir US$ 1 bilhão do seu próprio dinheiro em tecnologia de energias limpas, a fim de combater as mudanças climáticas.