Vinte dias antes da apresentação do seu Plano de Negócios para o perãodo 2014-2018, é grande a expectativa sobre os projetos que vão exigir recursos da Petrobras. A companhia, que divulga no dia 25 seu resultado de 2013 junto com o plano estratégico, não deve incluir ainda a construção das refinarias Premium I e II previstas para o Maranhão e Ceará, que podem ser construídas por investidores privados. Mas se espera alguns projetos que ajudem a gerar mais caixa e ultrapassar o sombrio ano de 2014, ano em que a empresa ainda enfrentará aumentos de custos e do endividamento. Novidades também devem vir da produção.
Entre as medidas da Petrobras para aumentar a geração de caixa e facilitar a construção de novas térmicas a gás está o compartilhamento dos terminais de regaseificação instalados no Rio de Janeiro, Salvador e Pecém (CE). Os três operam com capacidade ociosa. No ano passado a Petrobras assinou contrato com a espanhola Endesa que previa o uso terminal da Petrobras em Pecém para que a espanhola importasse gás natural liquefeito (GNL).
A Endesa controla a Companhia Energética do Ceará (Coelce) e tem planos de construir uma nova termelétrica em Pecém usando GNL como combustível. Mas não conseguiu habilitação para participar do leilão de energia realizado em dezembro. A decisão do Ministério de Minas e Energia de aumentar o custo variável unitário (CVU) nos próximos leilões de energia de R$ 110 para R$ 150 por megawatt-hora viabiliza novas térmicas que podem importar GNL usando os terminais da estatal.
Os analistas Paula Kovarsky e Diego Mendes, do Itaú BBA, observaram em um relatório para clientes que o novo plano estratégico será importante para testar o comprometimento da direção da Petrobras com a meta de alavancagem da companhia.
O atual plano de negócios prevê um teto de 2,5 vezes a alavancagem medida pela relação entre a dívida e o lucro antes de juros antes de impostos, depreciação e amortização. Mas, no terceiro trimestre de 2013, esse indicador estava em 3,25 vezes.
Os analistas observam que o ciclo de planejamento da Petrobras em 2014 vai exigir um maior grau de criatividade porque terá que acomodar o investimento adicional para Libra, a depreciação do real, o aumento da dívida, e questões envolvendo reajuste, ou não, dos preços dos combustíveis. Eles mencionam ainda as refinarias Premium do Maranhão e Ceará.
No relatório, eles lembraram que, em um encontro no fim do ano passado, Graça Foster mencionou a possibilidade de adicionar um terceiro nível de investimento ao plano de investimentos, que hoje traz os projetos em andamento (US$ 207 bilhões) e aqueles em análise (US$ 30 bilhões).
Desta vez, haverá uma terceira estimativa, provavelmente um nível mínimo que exclua projetos onde ainda há possibilidade de adiamento. A convergência entre esse número e o investimento aprovado dependeria da evolução da dívida líquida / Ebitda da empresa, na sequência do aumento da produção e a paridade de preços, disseram Kovarsky e Mendes.
Essa pode ser uma solução adequada do ponto de vista das agências de classificação de risco de crédito, continuam os analistas. A empresa poderia alcançar uma sequência de metas relacionadas ao nível de endividamento ao mesmo tempo se comprometendo a reduzir despesas, baseada em uma tendência para o futuro de dois ou três anos, por exemplo, afirmam.
Essa estratégia também poderia ser alinhada com um compromisso do conselho, que, como lembram os analistas, prometeu medir a eficácia da política comercial para o diesel e os preços da gasolina vis-à -vis a evolução da dívida líquida/ Ebitda. Ele se referem à promessa feita quando foi divulgada a nova fórmula de preços.