unitri

Filtrar Por:

< Voltar

Clippings - 27/07/10

Mercado de capitais pode desacelerar

Depois de um primeiro semestre bem mais movimentado no mercado de capitais, na comparação com igual perãodo do ano passado, surgem dúvidas nos bancos de investimento sobre a manutenção do ritmo das operações até o fim de 2010.

Ontem, dados divulgados pela Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) mostraram que os bancos originaram R$ 39,9 bilhões em operações de rendas fixa e variável nos primeiros seis meses de 2010, montante bastante superior aos R$ 20 bilhões gerados em igual perãodo de 2009.

Ainda é precoce falar que este ano será melhor do que 2009. A crise que a Europa vem enfrentando é algo que demanda uma longa recuperação, diz Fábio Mentone, diretor do Bradesco BBI.

Além do cenário externo mais conturbado, haverá eleições presidenciais. Apesar de essa não ser a preocupação central dos investidores, segundo os executivos de bancos, a votação costuma trazer um clima de mais incerteza para as emissões, por isso algumas empresas já anteciparam suas ofertas para o primeiro semestre.

Isso, porém, não significa que o ano será pior do que 2009 para os bancos de investimento, mesmo que os volumes não batam os do ano passado. Esse tende a ser um ano mais diverso, com operações acontecendo durante o ano, tanto de renda fixa quanto de renda variável, avalia Jean-Marc Etlin, responsável pelo Itaú BBA, que ficou na primeira colocação dos rankings de distribuição da Anbima.

Para Fábio Nazari, sócio da área de mercado de capitais do BTG Pactual, a disposição dos investidores deve continuar elevada para a compra de papéis relacionados principalmente a dois temas: infraestrutura e consumo. De uma forma geral, o ano tende a ser melhor porque serão 12 meses realmente. No ano passado, o primeiro semestre ficou bastante parado, diz ele.

O que pode mudar completamente o cálculo dos bancos de investimento, porém, é a operação bilionária de capitalização da Petrobras, que, se concretizada nos próximos meses, vai ser capaz de mudar os rankings dos bancos de investimentos por causa de seu gigantesco porte.

Porém, de uma forma geral, deixando de lado a operação da Petrobras, os executivos avaliam que o ano deve terminar mais positivo para as emissões de renda fixa, que não contam com investidores estrangeiros.

No primeiro semestre, foram R$ 26,5 bilhões em operações originadas pelos bancos ante R$ 15,9 bilhões no mesmo intervalo de 2009. Também cresceu o papel dos bancos como investidores das operações de renda fixa que eles mesmos coordenam. Segundo dados da Anbima, as instituições ficaram com R$ 13,7 bilhões. No mesmo perãodo do ano passado, elas tinham comprado R$ 7,2 bilhões.

Na prática, essas operações funcionam mais como uma transação de crédito bancário do que como uma operação do mercado de capitais. De janeiro a junho deste ano, as instituições que mais adquiriram papéis foram Bradesco BBI, com R$ 3,8 bilhões, e Banco do Brasil, com R$ 3,2 bilhões.