Até dezembro deste ano, a Petrobras começa a operar um investimento de R$ 11,7 bilhões para aumentar a oferta de gás natural do país em um terço do volume atual.
No entanto, esse esforço não irá chegar à outra ponta da cadeia, o consumidor, uma vez que a estatal não terá a quem vender essa produção, devido ao fato do mercado brasileiro estar atendido em 2010. Mesmo diante dessa realidade, a companhia segue planejando o futuro do setor e espera um crescimeto médio anual de 7,4% até 2014.
Os investimentos da Petrobras englobam um complexo que inclui a maior plataforma de gás do país, com a finalidade de explorar os campos de Mexilhão e Uruguá-Tambaú, gasodutos e uma unidade de tratamento em Caraguatatuba, cujo início da operação estava previsto para 2009. Há ainda outras unidades no Rio de Janeiro e no Ceará, que somam mais R$ 2,5 bilhões. Esses investimentos foram definidos em 2007, quando o país atravessava a crise do gás. Agora, com abundância na produção, a companhia acumula gás ocioso.
Além da produção nacional consolidada, dois fatores colaboram para que o estoque de gás continue aumentando. O primeiro, ainda prematuro, mas importante, é a recente descoberta de gás no Maranhão, anunciada pelo empresário Eike Batista, no campo de Parnaíba. O local teria até 15 trilhões de pés cúbicos de potencial, com produção estimada em 15 milhões de metros cúbicos por dia. O segundo ponto é que, por contrato, o Brasil é obrigado a comprar gás da Bolívia. Com isso, até o meio deste ano, o país queimava o equivalente a 12% de todo o consumo comercial nacional.
Mexilhão em outubro
A segunda quinzena de outubro deve marcar o início da operação do campo de Mexilhão, na Bacia de Santos, afirmou o gerente de exploração de gás natural da Bacia de Santos da Petrobras, Márcio Naumann, em evento sobre cogeração, em São Paulo. O trabalho será feito por uma plataforma que também irá escoar o gás dos campos de Uruguá e Tambaú, além do projeto piloto de Tupi. Com essa operação conjunta, a capacidade de produção da Bacia de Santos chegará a 22 milhões de metros cúbicos diários, contra os 2,5 milhões atuais.
A partir daí, o maior obstáculo passa a ser o escoamento dessa produção, que promete ser solucionado pelo gasoduto Caraguatatuba (SP) – Taubaté (SP), o Gastau. Até 2013, a Petrobras deve colocar em operação outros três sistemas de produção: o FPSO Cidade de Itajaí, nos campos de Tiro e Sídon; o FPSO Cidade de São Paulo, no campo de Guará; e o FPSO Cidade de Paraty, que será o projeto piloto de Tupi Nordeste. Por enquanto, campos como Uruguá e Tambaú seguem queimando o gás produzido.