A operadora de sondas Borr Drilling informou esta semana que assinou uma carta de intenção para adquirir as 15 jackups da Transocean. A empresa norueguesa estima o valor da operação em US$ 1,35 bilhão e prevê sua conclusão para antes do fim de maio.
Dentre as jackups em negociação, cinco estão operando em contratos com término previsto entre este mês e outubro de 2018: a GSF Constellation I, GSF Galaxy I, Transocean Andaman, Transocean Siam Driller e Transocean Ao Thai.
Outras cinco estão hibernando. São elas a GSF Constellation II, parada desde maio de 2016, a GSF Galaxy II (fora de operação desde setembro de 2015), a GSF Galaxy III (julho de 2015), a Transocean Honor (maio/2016) e a Transocean Monarch (julho/2015).
As demais sondas que poderão ser compradas pela Borr Drilling estão sendo construídas pelo grupo Keppel Fels: a Transocean Cepheus, Transocean Cassiopeia, Transocean Centaurus, Transocean Cetus e Transocean Circinus.
Em agosto do ano passado, a Transocean firmou um acordo com o Keppel para adiar a entrega das new builds para 2020. Isso aconteceu apenas quatro meses depois de a empresa firmar um acordo semelhante com o Jurong para postergar a entrega de duas sondas de águas ultraprofundas.
Com cerca de 60 sondas em sua frota – incluindo as 15 jackups em negociação –, a Transocean é uma das dez maiores operadoras de sondas offshore em atividade no mundo, ao lado de empresas como a Seadrill, Ensco, Paragon Offshore, Rowan, Noble e Diamond Offshore.
Assim como a Transocean, algumas dessas “majors” do drilling foram forçadas a entrar em acordo com estaleiros para prorrogar a entrega de novas sondas devido à sobreoferta de equipamentos offshore em atividade.
Em janeiro de 2016, por exemplo, a Seadrill e o estaleiro chinês Daewoo Shipbuilding & Marine Engineering (DSME) acertaram o adiamento da entrega dos navios-sonda West Aquila e West Libra para 2018 e 2019, respectivamente.
No mesmo ano, a empresa conseguiu a prorrogação da entrega da semissubmersível West Rigel, com o Jurong, além de cancelar o contrato de construção da semissubmersível West Mira com o Hyundai Samho Heavy Industries.
Também em 2016 a Seadrill anunciou o cancelamento de dois contratos de afretamento, um pela petroleira mexicana Pemex, referente à semissubmersível West Pegasus, e outro pela North Atlantic Drilling, relativo à semi West Hercules.
Já a Transocean anunciou o cancelamento de três contratos no ano passado: dos navios-sonda Discoverer India, afretado pela Reliance Indutries, e Discoverer Deep Seas (Murphy E&P Company), e da semissubmersível GSF Development Driller I, que operava para a Esso Exploration Angola.
Dentre as demais gigantes do setor que tiveram contratos cancelados no perãodo estão a Rowan e a Noble, ambas com a Freeport-McMoRan Oil & Gas LLC, que desistiu do afretamento dos navios-sonda Rowan Relentless, da primeira, e Noble Sam Croft e Noble Tom Madden, da última.
A Rowan anunciou ainda a alteração do contrato do navio-sonda Rowan Reliance, com a Cobalt International Energy, que solicitou o encerramento antes do prazo, originalmente programado para ser encerrado em fevereiro de 2018.
Outra operadora que teve contratos alterados foi a Noble, que fechou com a Shell um acordo relativo às taxas diárias dos navios-sonda Noble Bully II, Noble Globetrotter I and Noble Globetrotter II.
Em compensação, tanto Seadrill como a Transocean anunciaram novos contratos em 2016. A primeira, com a Saudi Aramco, para estender o afretamento das jackups AOD I, AOD II e AOD III, e a última, para extensão do contrato dos navios-sonda West Tellus, com a Petrobras, e o afretamento da semissubmersível Transocean Barents, com a Suncor Energy.
Brasil
Os últimos meses de 2016 foram agitados para a Diamond Offshore. Em setembro – um mês antes de receber a informação de que a BP desistira de conduzir uma campanha de exploração na Austrália com a semissubmersível Ocean Great White – a empresa teve o contrato da Ocean Valor cancelado pela Petrobras.
Este mês, porém, o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro manteve a suspensão do cancelamento do contrato da sonda, sob o argumento de que o ato de rescisão foi desproporcional às justificativas apresentadas pela Petrobras à ANP (a petroleira usou como justificativa uma interdição de 27 dias da unidade feita pela agência regulatória em 2016).
A Paragon e a Ensco também fazem parte do grupo grandes operadoras de sonda que foram afetadas pelas atividades no Brasil no último ano. A primeira teve a taxa de utilização de suas sondas flutuantes do quarto trimestre prejudicada pelo fim do contrato da sonda DPDS3, que atuou para a Petrobras no Brasil até agosto de 2016.
No começo de 2016, a Petrobras cancelou o contrato da DS-5, da Ensco. Alguns meses depois, a empresa vendeu seis unidades para sucateamento, incluindo duas – a Ensco 6003 e a Ensco 6004, que operavam para a companhia brasileira.
Ela é uma das dez empresas que operavam sondas para a Petrobras no início de 2017, ao lado da Queiroz Galvão Óleo e Gás (QGOG), Odebrecht, Seadrill, Transocean, Ocean Rig, Diamond Offshore, Etesco, Schahin e Petroserv.
As duas últimas, por sinal, brigam na Justiça para manter contratos com a estatal. A Schahin luta pela manutenção do afretamento da sonda Vitória 10.000, que a Petrobras quer cancelar. Já a Petroserv conseguiu, em setembro de 2016, uma liminar que obriga a petroleira a manter o afretamento da sonda NS Carolina e de prestação de serviços com a Ventura Petróleo e a Commodore Marine, subsidiárias da companhia.
Sete
Assim como a QGOG, Odebrecht e a Seadrill, a Petroserv foi uma das empresas que assinaram contrato com a Sete Brasil para operar sondas da companhia brasileira, que hoje passa por processo de recuperação judicial. O plano prevê que a companhia levará 14 anos para pagar suas dívidas e que será necessário um aporte de US$ 1,2 bilhão para retomar o projeto de construção das sondas originalmente planejadas.
Rig Count
Segundo dados da Baker Hughes para o mês de fevereiro de 2017, há 220 sondas offshore em atividade no mundo. Com 35 sondas, a Índia está no topo da lista. Na sequência – entre os países com mais de dez equipamentos em atividade – estão os Estados Unidos (19), China (18), Arábia Saudita (17), Noruega (16), Emirados Árabes Unidos (14), México (13) e Brasil e Reino Unido (11).