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Clippings - 03/05/21

‘Mercado demandará FPSOs mais complexos e padronizados’, projeta SBM

Arquivo/Divulgação

Diretor disse em evento que atividades permaneceram aquecidas nos últimos três anos e apontou como desafio contornar a ocupação dos estaleiros asiáticos que, cada vez mais, recebem encomendas de outros nichos de mercado.

A SBM observa que os projetos de FPSOs nos próximos anos vão se concentrar em unidades com alto desempenho de produção, com necessidade de investimentos (capex) cada vez mais otimizados e custos logísticos mais eficientes. Para FPSOs em lay up, a empresa observa menos possibilidade de sucesso na mobilização para novos projetos devido às dificuldades de se justificar investimentos. A empresa vê FPSOs cada vez mais complexos, que demandarão padronização para se tornarem competitivos. Para o diretor de desenvolvimento de negócios da SBM Offshore, Eduardo Chamusca, o perfil das unidades não deve variar até o ciclo final da indústria de produção de petróleo, que tem diferentes previsões de datas de arrefecimento pelo mercado.

“Vejo que a demanda dos últimos cinco anos e o que vemos de perspectivas de licitação para os próximos 10 anos, são em grande parte FPSOs muito grandes, cada vez mais complexos, com muito gas handling, com muitos contaminantes a serem removidos e com produções enormes”, projetou durante o debate ‘Offshore Week — O mercado global de FPSOs para 2021’, promovido pela agência EPBR. Ele disse que, há quatro anos, não era possível prever que FPSOs alcançariam produções da ordem de 220 mil barris de petróleo e 16 milhões de m³ de gás.

A empresa aposta em uma solução que permite contratar o casco com certa antecedência. Chamusca explicou que contratar antes de ter projeto dá mais flexibilidade em licitar diversos processos em paralelo, sem arriscar ter um projeto executado sem ganhá-lo. Além disso, permite uma baixa substancial na base de custos devido à produção em escala. Cada FPSO representa um custo da ordem de US$ 1,5 bilhão a US$ 2 bilhões de capex. Atualmente, existem em torno de 300 unidades flutuantes produzindo petróleo, entre FPSOs, semi submersíveis e outros tipos de plataformas. Aproximadamente 170 são FPSOs, sendo que mais de 25% delas estão no mercado brasileiro.



Hoje, existem 25 plataformas desse tipo em construção no mundo, a maior parte sendo produzida na Ásia, em países como Cingapura, China e Coreia do Sul. Chamusca disse que 10 dessas unidades, em algum momento, virão para o Brasil, seja para completar o conteúdo local, seja para produzir. Com isso, 40% de toda a demanda atual de construção no mundo está no Brasil. “A tendência, olhando números de FPSOs nas licitações por vir, continua na faixa de 40% a 50% de todas as FPSOs no mundo. Se esses FPSOs continuarem vindo, a tendência é que esses 25% do mercado mundial de FPSOs no Brasil venham a crescer”, disse Chamusca.

O diretor ressaltou que as atividades de FPSOs permaneceram aquecidas nos últimos três anos. Chamusca apontou como desafio contornar a ocupação dos estaleiros, principalmente na Ásia, somado ao fator Covid, que impacta o cronograma dos construtores. Ele acrescentou que os projetos de FPSOs cada vez mais competem com outros nichos de mercado, desde sondas e embarcações apoio marítimo a demandas onshore, como instalações para gás natural liquefeito (GNL), como as encomendas da Rússia para estaleiros chineses.

“Estamos começando a competir fortemente com renováveis e a ver nos estaleiros turbinas eólicas e outros tipos de equipamentos que não víamos no passado”, contou. Segundo Chamusca, essa tendência desafia a competitividade em preços. “Quanto mais cheio fica o estaleiro, mais caro ele fica”, observou. Outra preocupação é a oferta de financiamento para esse tipo de projeto também está ficando menos disponível em alguns países.

A SBM identifica no mundo 30 FPSOs em lay up esperando ter algum tipo de utilidade na indústria. Chamusca explicou que, no passado, a tendência desses FPSOs em lay up era acharem novo campo em um ou dois anos. Com o processo de transição energética, acelerado durante a pandemia, ele vê cada vez menos demanda do mercado de FPSOs mais simples do ponto de vista de processamento. “Não vemos com tanta agressividade o futuro da demanda de FPSOs como víamos há 10 anos, quando parecia que a demanda era infinita”, analisou.

Fonte: Revista Portos e Navios