O anúncio da inviabilidade comercial de quatro campos da OGX pegou o mercado de surpresa, apesar dos problemas que a empresa publicamente vinha enfrentando, e jogou por terra até mesmo as previsões mais pessimistas. Em um pregão nervoso, marcado por uma série de leilões por conta das oscilações bruscas entre cada negócio, as ações da petroleira de Eike Batista perderam 29,1% de seu valor. Os papéis encerraram o dia cotados a R$ 0,56 e chegaram a bater a mínima de R$ 0,48 durante a sessão.
No ano, os ativos acumulam queda de 87,2%. Considerando o pico de R$ 23,37 atingido em 15 de outubro de 2010, o recuo é de 97,5%. Apesar desse tombo, os analistas que ainda se arriscam a fazer previsões para a companhia acreditam que há mais espaço para perdas. O banco UBS rebaixou o preço-alvo para as ações de R$ 1 para apenas R$ 0,20.
O golpe na confiança dos investidores – que incluiu um pedido, para que as projeções para a OGX divulgadas até então, fossem desconsideradas – atingiu as demais empresas do grupo EBX listadas em bolsa. A LLX, de logística, caiu 10,10%, para R$ 0,89, enquanto a MMX, de mineração, perdeu 9,52%, para R$ 1,33, compondo, junto com a petroleira, a tríade das maiores queda do Ibovespa, contribuindo para levar o índice a uma baixa de 0,48%, para 47.229 pontos.
Na sexta-feira, antes do anúncio da OGX, a Fitch Ratings já havia rebaixado a nota do Porto de Açu, desenvolvido pela LLX, para B-, a um degrau do nível considerado como com alto grau de inadimplência. Segundo a agência, a situação financeira apertada da OGX, principal empresa do grupo Eike Batista, complica o cenário para as demais empresas do grupo, já que o controlador pode não ter recursos disponíveis para garantir a continuidade de todas as suas empresas.
Em relatório, a equipe da Planner afirma que o comunicado divulgado ontem pela OGX altera praticamente todo o cenário no qual se baseavam as expectativas do mercado, partindo agora para outro patamar, muito mais de sobrevivência que de crescimento. A corretora ressaltou que a empresa ainda tem ativos que poderiam ser interessantes, mas que precisariam de recursos para serem desenvolvidos que, no momento, não existem. Restam poucos caminhos para a empresa, afirma o analista Luiz Francisco Cataldo, que deixou de fazer projeções para a companhia já há algum tempo pela mais absoluta incapacidade de reunir dados confiáveis para realizar projeções.
Pelas contas do Credit Suisse, o futuro da OGX depende agora de três ativos: os blocos na bacia do Parnaíba, avaliados pelo banco em US$ 500 milhões; o bloco de Tubarão Martelo – o único com potencial boa geologia -, estimado em US$ 1,2 bilhão; e o bloco BS-4, adquirido por US$ 270 milhões.
Com US$ 2,8 bilhões em dívida líquida ao fim do primeiro trimestre, há pouco valor para sustentar as ações, afirmaram os analistas do banco suíço em relatório. Segundo eles, o pagamento imediato de US$ 449 milhões à OSX para a construção de duas plataformas que serão utilizadas em Tubarão Martelo, coloca o balanço da petroleira ainda mais em xeque.
A equipe do Citi também ressalta que a solvência é o principal desafio da OGX no curto prazo. A situação em termos de balanço é muito difícil para manter as operações nos próximos doze meses e retornar valor para os acionistas, ressaltou a equipe do banco em relatório.
A companhia encerrou o primeiro trimestre com US$ 1,1 bilhão em caixa. Ainda restam os US$ 850 milhões que serão pagos em parcelas pela malaia Petronas pela fatia de 40% de Tubarão Martelo adquirida neste ano e uma opção de venda de ações de US$ 1 bilhão que a companhia pode exercer contra o controlador. O problema é que ninguém tem certeza se esses dois planos estão mantidos dentro do novo cenário.
Na avaliação do Citi, a situação complicada reforça a visão de que a OGX tem de vender ativos – e rápido. A venda de participações nos blocos arrematados no leilão ocorrido neste ano aparece como a alternativa ideal, diz o banco, já que, com um parceiro para esses projetos, a OGX ainda teria uma chance de tirá-los do papel.
As ações da OSX, que não fazem parte do Ibovespa, tiveram uma queda mais modesta, de 5%, para R$ 1,33. Segundo um operador de mercado, que não quis se identificar, o desempenho mais suave do papel reflete o recebimento de US$ 449 milhões pelas plataformas que serão arrendadas à irmí. Isso alivia um pouco o endividamento de curto prazo da companhia, afirmou a fonte.
As perspectivas de médio prazo, no entanto, são complicadas. Cerca de 70% dos recursos devem ser utilizados para a conclusão das duas plataformas que vão operar em Tubarão Martelo. Com o cancelamento de encomendas de cinco plataformas por parte da OGX, a empresa depende essencialmente do aluguel das plataformas que já foram arrendadas e do sucesso da campanha exploratório da petroleira. Em comunicado, a OSX informou que suas projeções para carteira de encomendas também devem ser desconsideradas e disse que estuda iniciativas para se adequar à nova realidade.