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Clippings - 13/07/23

Mercado vive novo pico de contratação pela Petrobras

Créditos: Agência Petrobras

A indústria metal mecânica pesada, sobretudo a naval, vive hoje um terceiro pico de encomendas, que pode ser estender nos próximos anos com a entrada de novos projetos de produção de óleo e gás. O pico de contratação de topsides acontecerá em 2025, quando começará a entrar em declínio. Essa informação será levada pelo diretor de Engenharia, Tecnologia e Inovação da Petrobras, Carlos Travassos, ao presidente da companhia, Jean Paul Prates, nos próximos dias. Ele avalia, no entanto, que a indústria deve encontrar caminhos para vencer a alta taxa de juros.

“O Jean Paul tem falado muito para a gente abraçar o mercado, o que significa ouvir o mercado, entender as demandas e dificuldades, sem perder a geração de valor para a Petrobras”, disse o diretor.

Atender a esse volume de contratações da estatal será um desafio para a indústria nacional. Travassos avalia que as fornecedoras locais devem capturar as oportunidades gradativamente e que algumas lacunas ainda precisam ser solucionadas, como o acesso ao capital e a conquista e requalificação da mão de obra que se perdeu no período de escassez de contratos.

“Precisamos começar a atender a essa demanda com parcimônia, paulatinamente. Não podemos achar que vamos conseguir atender tudo de uma vez só. Estamos chamando as empresas para que se preparem”, afirmou.

A alta da taxa de juros dificulta o investimento, assim como a apresentação de garantias pela indústria naval para conseguir financiamentos. A opinião de Travassos é de que não há tempo para esperar a redução dos juros, que tende a cair aos poucos. “A queda vem, mas temos que achar caminhos para o desenvolvimento sustentável desses ativos, ainda que a taxa de juros permaneça elevada por algum tempo”, disse o diretor da Petrobras, após participar do evento de lançamento do Anuário do Petróleo 2023, da Firjan.

O diretor da Petrobras identifica que o primeiro pico de encomendas aconteceu no início dos anos 2000, com a aquisição de plataformas que atualmente estão em fase de descomissionamento. Em 2012 houve novo ciclo virtuoso, com a compra das unidades replicantes e, agora, a demanda está novamente acelerada por conta de uma série de plataformas que serão utilizadas em áreas já leiloadas e para as quais a Petrobras se comprometeu em cumprir taxas de conteúdo local de 25% a 40%.

As oportunidades para a indústria local estão, principalmente, na construção de módulos para plataformas e refinarias, segundo o executivo. Atualmente, estão sendo construídos no Brasil cerca de 40 módulos e a projeção é de que o volume chegue a 80 em 2024. Para o executivo, esse segmento é a vocação brasileira e, mesmo que a demanda para projetos offshore se esgotem, há a oportunidade de fornecimento para as novas unidades produtoras de combustíveis sustentáveis que estão sendo desenvolvidas pela Petrobras em suas refinarias.

“Essa é uma competência desenvolvida e que pode ser utilizada para outros segmentos, inclusive associados à transição energética”, salientou o diretor da estatal.

A Petrobras, no entanto, não vai contratar equipamentos e serviços no Brasil a qualquer preço. A avaliação do diretor é de que a reedição de uma política de conteúdo local nos moldes da adotada em outros governos petistas não seja a solução para reerguer a indústria local. Sua análise é de que só a demanda da Petrobras não vai garantir a perenidade da indústria naval.

“Esse é um passo importante, vai ajudar nesse desenvolvimento. Mas não é suficiente, porque a Petrobras tem demanda diretamente proporcional à sua necessidade. A indústria brasileira tem potencial para ficar com muito (dos contratos). Só que a gente tem que ter muito cuidado com a entrega”, destacou o executivo, que aposta também no desenvolvimento da área de eólica offshore pela Petrobras. Em sua opinião, os desafios técnicos não vão impedir o desenvolvimento dos projetos.

Fonte: Revista Brasil Energia