Apenas metade dos 1.400 navios dry bulk encomendados será liberada ainda este ano. Os fatores principais são as operações de estaleiros inexperientes, falta de financiamento disponível para bancar planos de expansões e a política cada vez mais forte de diminuição no ritmo das entregas para se adequar à baixa demanda.
Ambas com sede em Londres, a ICAP Shipping e a Norway’s RS Platou prevêem que cerca de 700 embarcações dry bulk devem começar a operar neste ano. Nesse universo, estão os navios que não foram utilizados em 2009 e tiveram suas entregas atrasadas para 2010.
O chefe-executivo da RS Platou Markets, Erik Helberg, avalia a importância de os estaleiros confirmarem a demanda de serviços para além 2013, pois neste perãodo os pedidos devem se tornar cada vez mais escassos.
O chefe de embarques globais da RBS, Robin Perkin, concordou: A maioria dos armadores que requisitaram novas embarcações renegociaram seus prazos nos últimos 18 meses e muitos tiveram sucesso, seja com redução nos preços, remarcação de entregas ou mudanças de tipo de navios.
O problema para a indústria naval é que se todos os navios estão atrasados, os estaleiros ficam sobrecarregados. Se a maioria das entregas para 2011 estiverem atrasadas, isso pode criar uma situação de risco para os estaleiros, avaliou Perkin.
O executivo também prevê que muitas companhias marítimas que renegociaram seus contratos para entrega de embarcações devem procurar novos acordos para prolongar seus prazos. Isto se deve à crise financeira, que atingiu os fundos dos bancos, financiadores das linhas.
No último ano, a média de entregas foi de 45 navios por mês, comprovando que a meta inicial de 116 embarcações por mês é uma missão impossível, segundo a ICAP.
De acordo com informações da empresa, 47% dos pedidos de navios dry bulk foram atrasados, sendo que foram entregues 521 embarcações – inicialmente, o total programado para o começo de 2009 eram 991 embarcações.
Parte desse atraso pode ter sido planejada pelos armadores, mas alguns estaleiros inexperientes também foram responsáveis, enquanto se esforçavam para encontrar financiamento suficiente para continuar com as expansões planejadas, diz o relatório mensal mais recente da Global Shipping Analytics. Em ponto nenhum a média de entrega excedeu 60 navios por mês durante 2009, e mesmo se esta média for mantida ao longo de 2010, o índice de atraso chegará a 50%.
O diretor da Clarkson Research Service, Martin Stopford, diz que o maior obstáculo que os estaleiros enfrentam é a forma de pagamento. Eles precisam receber dos armadores para pagar os funcionários e manter seus negócios, pois contam com pouco capital próprio para se resguardar.
As opções foram atrasar as entregas e congelar seus planos de expansão, oferecendo cancelamentos e diversificando a construção de navios offshore e outros tipos de embarcações, afirma o executivo.
De acordo com a RS Platou, mesmo com os atrasos de cerca de 125 milhões de deadweights agendados para 2010, e outros 14 milhões de deadweights previstos para demolição, a frota de navios de carga solta deve crescer por volta de 10% ainda este ano.