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Plataforma de sustentabilidade apresentada pela companhia prevê início de empurradores elétricos no começo de 2023 e estabeleceu 6 compromissos principais para operações do grupo.
A Hidrovias do Brasil espera começar a operar no início de 2023 seus dois empurradores elétricos, encomendados ao estaleiro Belov (BA). O presidente da Hidrovias do Brasil, Fabio Schettino, disse, nesta terça-feira (24), que o cronograma está em dia e que as duas unidades serão entregues até o final do ano. Há duas semanas, Schettino visitou as obras no estaleiro e acompanhou a montagem dos racks de bateria. O projeto integra a plataforma de sustentabilidade apresentada pela companhia, que inclui seis compromissos principais e metas para alcançar a operação de carbono neutro em 2030, com 50% das metas de redução até 2025.
“Temos intenção de dar seguimento a esse processo de eletrificação da frota. Estamos analisando o projeto de navio com tecnologia híbrida (GNL e diesel) para operar eventualmente na cabotagem”, disse Schettino durante entrevista coletiva sobre o lançamento da plataforma. Ele destacou que é uma tecnologia inovadora que vai operar nos terminais da empresa na Bacia Amazônia. “É o início da eletrificação da nossa frota, mas não vamos parar por aí: é o começo da nossa iniciativa. Temos ambições agressivas para o futuro”, acrescentou.
O executivo disse que a encomenda dos dois primeiros empurradores de manobra diesel-elétricos do mundo já caminhava na direção de práticas sustentáveis. Schettino ressaltou que é um projeto feito pela companhia, com um estaleiro brasileiro e fornecedores locais contratados. “Vamos ter um barco que, na sua operação ao longo do ano, acaba reduzindo a emissão equivalente a quase 500 automóveis e outras iniciativas para tornar a matriz mais limpa”, destacou.
A diretora de sustentabilidade da empresa, Fabiana Gomes, disse que cerca de 90% das operações em terra do grupo na região Norte possuem fontes de energia renovável. Ela destacou que, além da eletrificação, existem possibilidades de operação da frota utilizando outros tipos de combustível, como o gás natural liquefeito (GNL). Fabiana também citou um projeto em andamento para implantação de placas solares no teto dos terminais e armazéns do grupo. “A matriz energética hoje é tema estratégico da companhia, que olhamos com muito cuidado na navegação e na operação em terra”, afirmou.
A empresa também avalia a possibilidade de incluir no programa um projeto para instalação de placas desse tipo em barcaças, o que ainda esbarra em questões técnicas e de escala. “É uma possibilidade que estamos estudando. Nada impede que consigamos desenvolvê-la e colocar na nossa operação. Temos olhado para isso com bastante cuidado”, contou Fabiana.
Schettino acrescentou que a implantação das placas solares é mais simples em silos os tetos de armazém por serem áreas de exposição estática. Ele comparou que as barcaças são dinâmicas e possuem tampas removíveis. O presidente da empresa ponderou que os grandes comboios possuem áreas de exposição relevantes. Os maiores chegam a transportar o equivalente a 1.500-1.600 caminhões, como o super comboio com 35 barcaças que pode carregar de 65.000 a 75.000 toneladas. “Existe uma potencialidade para explorar essa matriz de célula fotovoltaica que é muito grande, em terra e nos ativos de navegação. Mas começaremos com a mais simples: terminais”, explicou.
A HBSA investiu em torno de de US$ 1,2 bilhão para tornar sua matriz de transportes mais sustentável em todo seu sistema logístico. A companhia hoje tem cerca de 20 milhões de toneladas de capacidade de transporte nos corredores norte (Miritituba-Barcarena, Pará) e sul (hidrovia Paraguai-Paraná). “Continuamos com investimentos que melhoram a matriz de transportes”, frisou Schettino. De acordo com o inventário de emissões de gases de efeito estufa, a Hidrovias do Brasil emitiu 4 gramas de CO2 equivalente por quilômetro útil — índice considerado vezes menor que os demais modais mais utilizados na logística brasileira.
O ‘Compromisso Sustentável’ estabeleceu metas de curto (até 2022), médio (até 2024) e longo prazos (até 2025), alinhadas aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Organização das Nações Unidas (ONU). Os seis compromissos centrais são: ‘Mudanças Climáticas’; ‘Ética e Transparência’; ‘Cadeia de Valor’; ‘Impactos Ambientais’; ‘Desenvolvimento Local e Humano e Saúde’; ‘Segurança e Desenvolvimento do Colaborador’.
Um dos compromissos tem como objetivo a adoção de ações para garantir que 100% dos clientes de grãos do sistema norte sejam signatários e façam adesão formal à moratória da soja, alcançando 100% dos fornecedores estratégicos homologados nos critérios de ESG (boas práticas socioambientais e de governança). A plataforma prevê ainda efetivar todos os sistemas de controles ambientais e encaminhar a destinação sustentável para os resíduos gerados nas operações.
Fonte: Revista Brasil Energia
