As empresas do setor metal-mecânico de Minas Gerais querem uma fatia maior no fornecimento de peças e equipamentos para a indústria de petróleo e gás, e podem ter nas joint-ventures com companhias internacionais um atalho para chegar a este objetivo. A Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil) e a Organização Nacional da Indústria do Petróleo (Onip) apresentaram ontem, na Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), o Brazilian Petroleum Partnerships (BPP), que visa aproximar potenciais fornecedores de uma parceria com companhias de fora com intenção de entrar no mercado nacional.
“Só aceitaremos parcerias que tragam ganho para o empresário local. Esse é o objetivo do projeto, que traz um negócio ganha-ganha”, disse o superintende da Onip, Bruno Musso. Ele explicou que o programa é composto de três fases, sendo última de uma missão de empresários selecionados para conhecer as possíveis parceiras multinacionais e fecharem o contrato.
O plano é impulsionado pela política de conteúdo nacional. “Muitas vezes o empresário estrangeiro tem receio em fazer uma parceria com empresas locais. Agora, com o respaldo da Apex-Brasil e da Onip isso ganha maior atratividade. É uma chance de gerar conhecimento também. Aqui temos condições de fabricar tudo que se necessita na indústria naval, mas podemos avançar na agregação de valor com mais conhecimento de engenharia”, observou o presidente do Sindicato Intermunicipal das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico de Ipatinga (Sindimiva), Jeferson Bachour Coelho.
MINERAçãO
O BPP deverá selecionar, em oito estados, um número total entre 40 a 50 empresas. Presente no encontro de ontem, o gerente de novos negócios da Emalto assegurou que a empresa participará do BPP. A empresa, baseada em Timóteo, no Vale do Aço, é tradicional fornecedora dos setores de mineração e siderurgia, que atravessam um perãodo de redução de investimentos. Para diversificar suas operações, está em vias de fechar seu primeiro contrato no setor de óleo e gás com a multinacional norueguesa National Oil Varco (NOV), para o fornecimento de equipamentos de perfuração no valor de R$ 40 milhões.
“Estamos fincando nosso pé no setor e vamos participar de todos programas deste tipo que forem possíveis nossa participação. Nossa diretoria está hoje (ontem) na Noruega para fechar os últimos detalhes desse contrato e estamos negociando outros”, disse.
COMPETITIVIDADE
Em sua primeira fase, o BPP irá identificar as indústrias brasileiras que podem formar joint-venture com empresas estrangeiras de petróleo e gás. O objetivo é aumentar a competitividade das companhias nacionais, atraindo investimentos e integrando as cadeias produtivas do país com as de fornecimento global para o setor. O corpo técnico do BPP elaborará um ‘Catálogo Técnico’ para ser apresentado nas missões de atração de investimentos no exterior.
NÚMEROS
50
Empresas serão selecionadas pelo Brazilian Petroleum Partnerships (BPP) em Pernambuco, Bahia, Espírito Santo, Rio de Janeiro, São Paulo, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.
3 Empresas mineiras já manifestaram interesse em participar do projeto. São elas: Usiminas Mecânica, Delp Engenharia e Emalto.
SAIBA MAIS
Fiemg buscará recursos para Centro de Engenharia
A Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) tentará conseguir junto ao Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) recursos para construir no Vale do Aço um Centro de Engenharia.
A intenção é desenvolver produtos localmente, não apenas para o setor de óleo e gás, embora tenha sido identificado neste setor um potencial maior de demanda, ao menos pontualmente.