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Clippings - 05/01/15

Mineral é visto como alternativa energética

Embora seja reconhecido como o maior emissor de dióxido de carbono (CO2) – um dos gases responsáveis pelo efeito estufa – na maior parte dos processos de geração termelétrica, o uso do carvão mineral é justificável se for levado em conta o impacto provocado durante todo o ciclo de vida do combustível. Em alguns casos, ele leva vantagem em comparação com o gás, tanto na extração quanto na queima e no transporte, e também pode compensar parte das próprias emissões com o fornecimento de cinzas para substituir o clínquer como insumo para a produção de cimento.

A avaliação é da professora da PUC-Rio Christianne Maroun, especialista em sustentabilidade e mudanças climáticas, que fez um comparativo para a Associação Brasileira de Carvão Mineral (ABCM) entre as emissões de gases de efeito estufa na geração térmica com carvão, gás natural e gás de xisto. Segundo ela, o “histórico negativo” do carvão como agente poluidor desde a revolução industrial gera “má vontade” dos ambientalistas frente ao combustível, mas é necessário examinar a questão no contexto de necessidade de se garantir segurança energética para o país.

Para a professora, o carvão pode ser empregado para complementar a matriz energética diante da falta de planejamento adequado da expansão das fontes limpas e renováveis no Brasil ao longo do tempo. As novas usinas hidrelétricas de grande porte, por exemplo, operam no regime de fio d’água, incapaz de garantir suprimento em perãodos de seca, enquanto a geração eólica é intermitente e a solar ainda é muito cara. “Hoje, o que temos de alternativa são as termelétricas”, afirma Christianne.

Neste caso, na região Sul do país, onde ficam as reservas de carvão brasileiro, a construção de térmicas abastecidas pelo mineral faz sentido devido à proximidade do insumo, à redução dos custos e dos riscos com transporte e à valorização da indústria e da mão de obra locais, entende Christianne. Já o gás natural emite metano (CH4) – que é 25 vezes mais danoso que o CO2 como gerador de efeito estufa – nos vazamentos comuns dos gasodutos, enquanto o gás de xisto produz a emissão na fissura da rocha para a extração do combustível, afirma.

A pesquisadora também concluiu que uma térmica hipotética de 500 megawatts (MW) a carvão mineral e com destinação de 100% das cinzas para terceiros emite menos CO2 do que usinas com a mesma potência em ciclo aberto (sem reaproveitamento dos gases de escape das turbinas nas caldeiras de recuperação de calor) a gás natural boliviano, da Bacia de Campos e de xisto. O resultado equivale a 22% dos cenários estudados, que incluíram comparações com carvão de diferentes graus de poder calorífico (PCI), reutilização de 60%, 80% e 100% das cinzas e térmicas de ciclo aberto e combinado.

Conforme Christianne, cada tonelada de cinzas fornecida para a indústria cimenteira reduz em uma tonelada a emissão de CO2 na produção de clínquer. O material particulado, outro risco associado ao uso do carvão, já pode ser controlado com a tecnologia disponível, enquanto a recuperação das minas após o esgotamento do carvão é regulada por lei e fiscalizada pelos órgãos de controle ambiental.

“O planejamento da lavra já contempla recuperação ambiental”, diz o diretor da Copelmi, Roberto Faria. Ele compara uma mina a céu aberto a um “buraco que anda”, porque o material removido na área em exploração é recolocado na anterior, onde já não há mais carvão. Segundo o geólogo da empresa, Gustavo Bastiani, o local minerado é recomposto com as rochas na formação original e pode ser utilizada para outras atividades como agricultura, pecuária e piscicultura. Segundo ele, o rejeito do beneficiamento do carvão também é reposto na posição original e selado entre a rocha e argila, que são impermeáveis.