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Clippings - 09/09/14

Minério interrompe série de quedas

O preço do minério de ferro ficou ontem em US$ 83,60 por tonelada no mercado à vista da China, interrompendo uma sequência de cinco quedas seguidas que levaram a cotação ao menor patamar desde 24 de setembro de 2009 e a uma desvalorização de 38% neste ano.

Entre as principais notícias que contribuiram para o sentimento negativo em relação ao minério de ferro, ontem, destacou-se o resultado das importações chinesas em agosto. O país comprou 74,88 milhões de toneladas do exterior no oitavo mês do ano, 9,3% menos do que em julho. De janeiro a agosto, foram importadas 614,4 milhões de toneladas, aumento de 16,9% em relação ao volume dos oito primeiros meses de 2013.

A analista Melinda Moore, do Standard Bank, disse em relatório que a queda das compras de minério em relação a julho são em parte decorrentes de manutenções portuárias de importantes fornecedores da commodity, o que levou a uma forte queda dos desembarques na China na primeira semana de agosto. Mas também teve impacto no resultado a redução dos embarques de alguns produtores pequenos de minério que passaram a ter baixos retornos de suas operações com o preço menor.

Na opinião da analista, os embarques brasileiros de minério de ferro para a China devem vir maiores em setembro, superando o volume de agosto.

Analistas do BTG Pactual afirmaram ontem, em comentário sobre o setor, que os resultados de comércio externo na China, de uma forma geral, levantam preocupações sobre a atividade do país e sobre o mercado de minério de ferro. As importações caíram 2,4% em agosto, na comparação com o mesmo mês do ano passado.

A trajetória de queda do preço do minério de ferro neste ano derrubou o preço médio da commodity em 21%, para US$ 106,4 por tonelada, ante US$ 135 por tonelada no ano passado.

Os analistas do BTG reafirmam ontem sua projeção de preço da matéria-prima do aço entre US$ 90 e US$ 95 por tonelada no segundo semestre deste ano e de US$ 95 por tonelada em 2015.

Os especialistas reafirmam a recomendação neutra para a Vale, uma das principais exportadoras globais de minério de ferro para a China, e destacam o aumento da capacidade mundial de produção da commodity. O banco explicou que a recomendação “neutra” para as ações, considera os múltiplos que estima para a empresa e riscos regulatórios.

Tomando por base os dados divulgados até agosto, o banco estima que a China importará 900 milhões de toneladas de minério de ferro em 2014, acima da previsão inicial do próprio BTG, de 875 milhões de toneladas.

Os analistas lembram que o aumento da oferta de minério de ferro continua a pressionar os preços no mercado à vista chinês. E acrescentam que um risco para os fundamentos do minério continua a ser o mercado de aço, que pode ser avaliado pelo resultado das exportações chinesas. A maior parte da produção siderúrgica da China foi destinada às exportações neste ano, afirmam.

Outro mercado de destaque ontem foi o de níquel. Caso o governo das Filipinas restrinja a exportação de laterita de níquel, a exemplo do que fez a Indonésia no início deste ano, a decisão pode favorecer a Vale. O BTG Pactual afirma que, apesar de ainda ser cedo para afirmar que o país realmente tomará a medida, um movimento nesse sentido poderia reduzir ainda mais a oferta de níquel no mercado, além de levar a cortes da produção chinesa de ferro gusa de níquel.

“A Vale continua a ser um dos maiores produtores de níquel no mundo, e pode se beneficiar da força de preços do produto daqui para frente”, afirmou o banco, em relatório.

Desde que a Indonésia parou de exportar os minérios de níquel, o preço do metal disparou na bolsa de Londres (LME) e as Filipinas ganharam espaço no fornecimento de laterita para a China. Neste ano, acumula alta de aproximadamente 35%.

O BTG estima que a divisão de níquel da Vale vá gerar um Ebitda de US$ 3,9 bilhões no ano que vem. A cada aumento de US$ 0,10 por libra peso no preço do metal, o Ebitda consolidado da mineradora brasileira sobre 0,5%, segundo os cálculos do banco.

O BTG mantém sua projeção de um Ebitda de US$ 14,9 bilhões para a Vale em 2015.