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Clippings - 25/06/13

MMX confirma que pretende vender ações de Eike e ativos

RIO e NOVA YORK A MMX Mineração, uma das empresas do grupo EBX, do empresário Eike Batista, confirmou em comunicado ao mercado ontem que está avaliando oportunidades de negócio para venda tanto de ações do controlador (Eike) quanto de ativos para investidores interessados. Isso já era especulado pelo mercado nas últimas semanas. Alguns analistas viram no comunicado um sinal de que a conclusão do negócio está próxima. As ações ordinárias (ON, com voto) subiram 10,24%, a R$ 1,40, mas ainda acumulam perda de 68,54% no ano. Foi a maior alta do Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), que caiu 2,32%.

– O comunicado é um sinal claro de que estão procurando se desfazer de ativos, inclusive ações de controle. Estão procurando mecanismos para fazer caixa para o grupo – disse Pedro Galdi, analista-chefe da corretora SLW.

Analistas e gestores passaram a defender nas últimas semanas que Eike saísse da frente dos negócios para restaurar a confiança no grupo, o que pode ocorrer se a venda de controle da MMX for concretizada.

No fato relevante enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), o presidente da MMX, Carlos Gonzalez, diz que a companhia está avaliando oportunidades de negócios, incluindo, mas não se limitando, à venda de ações detidas pelo acionista controlador da companhia, assim como de seus ativos, tanto para investidores nacionais quanto estrangeiros.

jornal compara Eike ao Brasil

A empresa divulgou que contratou assessores financeiros e iniciou um processo focado em gerar valor para todos os seus acionistas.

Ainda de acordo com o texto, o sucesso das negociações está sujeito aos riscos característicos de processos dessa natureza, às aprovações societárias das partes envolvidas, bem como de órgãos governamentais competentes.

A trajetória do império de Eike Batista foi comparada com a do próprio Brasil em reportagem do jornal New York Times. A ascensão e queda do chamado industrial carismático reflete, segundo a publicação, a sorte do país, que avançava puxado pelo boom das commodities . A reportagem afirma que os bilhões de Eike estão evaporando, ao lembrar a meta do empresário de acumular US$ 100 bilhões em dez anos, em entrevista dada em fevereiro de 2010 ao programa de Charlie Rose, na PBS TV, um dos mais conceituados nos Estados Unidos. O empresário, que chegou a ser o oitavo homem mais rico do mundo, com US$ 34,5 bilhões, segundo o Índice de Bilionários da Bloomberg, hoje ocupa a 239ª posição da lista, com US$ 4,8 bilhões.

Depois de anos de crescimento, o país enfrenta questões como a volta da inflação, a queda de mais de 20% da Bolsa de Valores este ano – a maior entre os países grandes – e a recente redução da perspectiva de rating pela Standard & Poors. Segundo o NYT, Eike personificava a emergência do Brasil como força econômica mundial.

Eike Batista construiu um império graças ao financiamento colossal do governo brasileiro. Mas sua explosão de riqueza e proeminência no estágio global traz riscos, como o governo e os investidores estão descobrindo agora, diz o ex-presidente do BNDES Carlos Lessa na reportagem.

O texto diz ainda que Eike vendeu a investidores o potencial do Brasil, com a criação de empresas que se beneficiariam de riquezas como o petróleo, o minério e a ascensão da classe média.

Ele empacotou vento e vendeu. A euforia enganou muita gente, disse ao New York Times a colunista do GLOBO Míriam Leitão.