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Clippings - 21/01/14

Modelo de exploração de petróleo brasileiro sobrecarrega a petrobras, afirma estudo

Consultoria faz alerta sobre uso da estatal com objetivo de controlar preços de combustíveis.

Os benefícios da exploração de petróleo no Brasil, como os alcançados pela Noruega – com desenvolvimento
de forte indústria local, contribuição ao crescimento econômico e distribuição de riqueza – dependem de
ajustes na política do governo para o setor. Um dos mais urgentes é deixar de usar a Petrobras como
instrumento de política de preços, com subsídios aos combustíveis, que vem sobrecarregando a estatal, num
momento em que ela também é obrigada a fazer elevados investimentos para aumentar rapidamente a
produção. Caso contrário, o país pode perder investimentos para outros países, como o México, que está abrindo seu mercado.

As conclusões são do estudo Perspectivas para a indústria de óleo e gás no Brasil, elaborado pela empresa de consultoria internacional EY (antiga Ernst & Young), que o GLOBO divulga com exclusividade.

Para o sócio líder do Centro de Energia e Recursos Naturais da EY, Carlos Assis, o Brasil diz adotar o modelo
da Noruega, voltado ao longo prazo, mas, na prática, está usando o da Inglaterra, ao exigir um forte programa
de investimentos para aumento da produção a curto prazo.

– A Statoil (empresa de petróleo norueguesa) nunca foi usada como instrumento de política governamental,
como a Petrobras. O governo deveria deixá-la mais livre para tomar decisões sobre investimentos num ritmo
mais saudável – diz Assis, frisando que neste ano, após os leilões de 2013, o governo deve avaliar os
resultados e pensar nos desafios à frente.

A EY alerta que o panorama do setor no Brasil, somado a incertezas na regulamentação, pode gerar
desinteresse por parte de grandes Players a curto prazo. É hora de a Agência Nacional do Petróleo (ANP)
incentivar investimentos, adotando medidas claras e um ambiente regulatório que incentive a concorrência
leal, o que teria impactos positivos para o desenvolvimento do setor, de acordo com o estudo.

– Uma sintonia fina é importante para desonerar a Petrobras, como acabar com a obrigação de ela ser a
operadora única nos campos do pré-sal – afirma Assis, que sugere ainda um programa mais efetivo para
financiar a indústria de fornecedores locais e de índices de conteúdo local mais realistas em alguns itens.

Para o especialista, não dá para exigir conteúdo local alto a curto prazo ao mesmo tempo em que se exige
crescimento acelerado da produção:

Para o especialista, não dá para exigir conteúdo local alto a curto prazo ao mesmo tempo em que se exige
crescimento acelerado da produção:

– Os percentuais deveriam ser revistos em tempo para serem atingidos. Não se cria indústria com programa
de aceleração da produção. Estão exigindo dos fornecedores prazos muito curtos para fabricar equipamentos com alto grau de sofisticação. (Ramona Ordoñez)