Os maiores terminais de contêineres do mundo já têm movimentação de 10 a 20 vezes maior do que os terminais brasileiros. Ou seja: se o Brasil não tiver grandes terminais para receber os mega navios, isso poderá impactar negativamente o comércio exterior. A fragmentação será danosa, afirma Sergio Salomão, presidente da Associação Brasileira dos Terminais de Contêineres de Uso Público (Abratec). A situação seria danosa tanto nos maiores portos brasileiros, como Santos, em que a fragmentação poderia trazer aumento de custos, quanto nos menores, como Salvador.
A ideia inicial do governo federal era incluir uma área próxima ao TCP no bloco de licitações, o que inviabilizaria a sua futura expansão, mas o projeto foi abandonado. Além de criticado pela iniciativa privada, o governo paranaense não viu com bons olhos a medida, que fragmentaria a movimentação de cargas no Estado, ao poder abrir a área para outro concorrente. Em Salvador, a proposta do governo continua sendo para o arrendamento de novas áreas, o que inviabilizaria a expansão do atual terminal.
Isso coloca em lados opostos empresários locais e o governo da Bahia com o governo federal. Esperamos que haja o entendimento de que essa proposta vai contra a modicidade tarifária e decretaria que o atual terminal não tivesse condições de ganhar escala e ficar mais competitivo, destaca Salomão. Para ele, a demanda dos armadores por navios maiores para reduzir custos operacionais é uma tendência crescente, que ganhará espaço a partir desse ano, com a inauguração do novo canal do Panamá, o que possibilitará que os maiores navios do mundo ganhem a costa brasileira.
Já o diretor-executivo da Associação de Usuários dos Portos da Bahia, Paulo Roberto Batista Villa, discorda dessa visão. A construção de novo terminal propiciará elevada relevância internacional ao Porto de Salvador, com atração de novas linhas de navegação, armadores, cargas, usuário de negócios. Onde há competição há prosperidade. É essencial ao Brasil multiplicar o número de players de terminais. Um país de dimensão continental não pode ter uma atividade tão estratégica na mão de meia dúzia de empresas, defende.
O Porto de Salvador seria o segundo mais caro do país. Para ele, com um novo agente de contêineres, a competição irá aumentar e os preços tendem a ficar mais competitivos. A Bahia perdeu a liderança na movimentação de contêineres no Nordeste desde 2007, para o Ceará.
Reduzir o potencial do Porto de Salvador a um único terminal de contêiner é uma irracionalidade exuberante. O porto é um ativo magnífico que pode abrigar dois grandes terminais, com 1.840 m de cais contínuos e quase 50 hectares de retroárea.