A expansão da capacidade do Complexo de Pederneiras já vinha sendo estudada há algum tempo pela empresa, dada a percepção da sua importância para o setor produtivo exportador local
Bauru
A MRS Logística S.A., empresa operadora de serviços de transporte ferroviário de cargas, vai expandir seus negócios em Pederneiras, cidade localizada a 22 km de Bauru. Mas a ampliação dever ocorrer de forma gradual.
Neste ano, a empresa adquiriu uma área de 440 mil metros no porto intermodal da cidade, às margens da Hidrovia Tietê-Paraná, para abrigar um terminal de contêineres. Segundo o gerente geral de Comunicação da MRS, Marcelo Kanhan, ainda não é possível antecipar quais serão os investimentos por questões de compliance com órgãos reguladores, especialmente a CVM.
Mas, avalia, sempre se pode esperar impacto positivo sobre a economia local, inclusive com benefícios relacionados à mão de obra para a implantação do projeto. “É outra característica da ferrovia: nossa atividade produz efeitos em cascata muito positivos sobre as economias l o c a i s”, afirma o executivo. Perguntado sobre os prazos de execução do projeto, ele explica que é difícil precisar pois depende em grande parte de terceiros, como por exemplo, o licenciamento das obras. “Ma s é um projeto estratégico, temos articulado as soluções com o governo municipal, e tudo indica que teremos uma execução a bom termo. Só preferimos não trabalhar com prazos, para não gerar expectativa incorreta no mercado.”
A retomada do transporte pelo sistema hidrovia-ferrovia, após interrupção em 2015, devido à seca, foi um dos motivos que levaram a MRS a registrar em 2016, pelo segundo ano consecutivo, recorde no transporte de produtos agrícolas, com 3,7 milhões de toneladas de grãos. “Hoje, cerca de 55% de toda a soja exportada pelo porto de Santos chegam até os terminais de exportação por ferrovia”, explica Kanhan.
A expansão do Complexo de Pederneiras já vinha sendo estudada há algum tempo, dada a percepção da importância para o setor produtivo (exportador, neste caso) e todos os ganhos que a ferrovia, associada à hidrovia, oferece aos clientes, explica o executivo. “É, sem dúvida alguma, especialmente pelas distâncias envolvidas e tipo de carga, a solução de maior valor para o setor agrícola – custo, confiabilidade, segurança operacional e das cargas, menor impacto ambiental”, destaca.
Retomada da hidrovia
A MRS conta com uma operação especial que integra a ferrovia à Hidrovia Tietê-Paraná, por meio do porto da cidade de Pederneiras, onde funcionam terminais intermodais que permitem o transbordo de cargas, especialmente grãos, das barcaças para os trens que seguem para o Porto de Santos. Segundo dados da empresa, os principais produtos do mix de agrícolas são soja, farelo de soja, açúcar e milho.
Na soja, produto diretamente ligado à hidrovia, o crescimento de 2015 para 2016 foi de 22%. A empresa aposta no crescimento do escoamento da produção agrícola via hidrovia, considerado um sistema maduro, estabelecido, em plena produção. “Salvo o caso de impossibilidade climática, é e continuará sendo uma rota fundamental para a produção de agrícolas no país.
Considerando os recentes ganhos de produtividade do setor agrícola brasileiro e suas perspectivas de expansão, sem dúvida podemos contar com volumes crescentes. Estamos fazendo nosso dever de casa, mantendo a ferrovia preparada para acompanhar este crescimento, emprestando valor à cadeia”, completa o executivo.
A MRS Logística é a concessionária que opera a Malha Regional Sudeste da Rede Ferroviária Federal S. A. Hoje, a empresa transporta 3,7 milhões de toneladas de carga direta, de seu portfólio de clientes, e administra a malha que serve o Porto de Santos com um total de 27,5 milhões de toneladas de grãos, aproximadamente.
“Considerando as projeções atuais, da safra de 2017 entre 210 e 220 milhões de toneladas, percebemos o peso da nossa operação para a balança comercial brasileira. Somente falando de grãos, e de um único porto exportador (Santos), passam pelos nossos trilhos mais de 10% de tudo o que o Brasil exporta”, diz Kanhan.