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Clippings - 22/05/19

Naufrágio é nova mancha em projeto de quase US$ 10 bilhões

 

A Petrobras informou, na noite de ontem (20/5), que está inspecionando a balsa da Locar V e avaliando a situação dos módulos da plataforma P-71, que naufragaram parcialmente no último sábado (18/5). Os trabalhos são conduzidos com o grupo Jurong – responsável pela integração dos equipamentos ao casco do FPSO, em Aracruz (ES) –, e à Locar e à Tranship, proprietárias da balsa e de seu rebocador, respectivamente.

De acordo com a petroleira, durante sobrevoo sobre o local do incidente, na costa de Itajaí (SC), com a Marinha e o Ibama, não foi detectada a presença de óleo no mar. “A Petrobras instaurou uma comissão de investigação para avaliar as causas do acidente”, acrescentou a estatal em nota enviada por sua assessoria de imprensa.

O afundamento dos módulos de geração M15 e M16, cujo valor estimado é da ordem de US$ 150 milhões, representa mais uma mancha no projeto dos FPSOs replicantes – um empreendimento multibilionário marcado por atrasos e prejuízos financeiros.

De acordo com informações do Tribunal de Contas da União (TCU), a contratação das oito unidades (P-66 a P-73) totalizou US$ 8,59 bilhões, incluindo cascos, módulos e integração e aditivos contratuais. Ao longo da execução das obras, contudo, diversos contratos foram rescindidos devido à má performance de estaleiros e integradores locais.

Entre eles está o grupo Engevix, contratado, em novembro de 2010, para construir os oito cascos replicantes no Estaleiro Rio Grande (ERG). Os acordos totalizaram US$ 3,5 bilhões ou cerca de US$ 440 milhões por casco (valor baixado para US$ 417,5 milhões após negociação direta entre as partes).

 

Fonte TCU

 

Fonte: TCU

O modelo de contratação surgiu a partir de uma estratégia de construção em escala, de forma a baratear a construção a partir da replicação do projeto da primeira unidade para as demais e da curva de aprendizagem com o avanço das obras. Essa estratégia, inclusive, foi determinante para estabelecer que os cascos fossem construídos a partir do zero, ao invés da conversão.

Com o grupo Engevix em dificuldades financeiras e alvo da Operação Lava Jato, o ERG – que havia custado R$ 1,4 bilhão aos cofres da Petrobras, segundo o TCU – não deu conta das encomendas no prazo acertado, o que resultou na transferência de parte delas a estaleiros asiáticos.

Foi o que aconteceu com os cascos da P-69, P-70 e P-71. Embora seu estágio de execução física e financeira no Rio Grande estivesse na casa dos 90%, 50% e 70%, respectivamente, a Petrobras contratou os estaleiros Cosco e CIMC Raffles, na China, para concluir ou iniciar, do zero, suas obras.

 

FPSO P-69 em construção no Estaleiro Cosco, na China

O Cosco também absorveu, ao lado do BJC Heavy Industries, parte do pacote III de módulos (compressão de CO2, compressão e exportação de gás, compressão principal de gás e recuperação de vapor e injeção de gás), que fora contratado originalmente ao consórcio Iesa O&G, também investigado pela Polícia Federal. Os contratos com os grupos estrangeiros, referentes a dois FPSOs cada um, foram fechados em cerca de US$ 165 milhões e US$ 163 milhões, respectivamente.

Inicialmente programada para operar, este ano, nos campos de Berbigão e Sururu, no pré-sal da Bacia de Santos, a P-71 foi excluída do Plano de Negócios da Petrobras. A estatal não informa onde e quando será produzido o primeiro óleo da unidade, mas chegou a estudar a possibilidade de instalar o FPSO no bloco BM-S-11, onde está o campo de Lula.

Casco da P-71 em fase de construção no Estaleiro Rio Grande/ TCU

Em função dos atrasos nas obras dos replicantes, a Petrobras decidiu afretar dois FPSOs (Cidade de Maricá e Saquarema, junto à SBM) e considerou alocar a P-72 e a P-73 na área da cessão onerosa, no cluster de Santos. No entanto, seus contratos de construção acabaram cancelados, apesar das obras de seus cascos terem chegado a cerca de 40% no ERG.

O atual plano de negócios da Petrobras prevê a instalação da P-68 no campo de Berbigão este ano e da P-70 em Atapu, em 2020. Os também replicantes P-66, P-67 e P-69 já estão operando no campo de Lula.

Casco da P-68 em construção no ERG, em Rio Grande (RS)/ TCU

A BE Petróleo procurou a Petrobras para comentar a situação das obras da P-71, mas a estatal não respondeu até o fechamento da matéria.

 

Fonte: Revista Brasil Energia