País que ainda concentra suas relações comerciais com o Brasil nas regiões Sul e Sudeste, a Noruega busca ampliar as parcerias econômicas com o Ceará, ainda restritas ao setor de turismo. Mercados como o de energia renováveis, mineração, fertilizantes, cultivo de pescado e também naval são vistos como importantes potenciais do Estado, capazes de atrair investimentos daquele país europeu.
A constatação é da cônsul geral da Noruega, Helle Klem, que está em Fortaleza, com o objetivo de conhecer a economia cearense e identificar semelhanças com o mercado de sua nação. Pela primeira vez na Capital, Helle enfatiza que o Brasil é hoje um dos mais importantes mercados de todo o mundo, assim como são os Estados Unidos, Alemanha, China e Índia.
Manter e expandir as relações comerciais com o País, na opinião dela, é um questão estratégica. “O Brasil é o lugar para estar. Podemos construir o futuro juntos, numa cooperação mútua entre os dois países. Quem sabe, essa minha primeira visita a Fortaleza seja o começo de uma grande parceria entre a Noruega e o Ceará”, destaca a cônsul.
Helle ainda informa que o Brasil é atualmente o terceiro mercado que mais interessa à Noruega. No Rio de Janeiro, por exemplo, os negócios que o país escandinavo mantém na área de petróleo e gás estão sendo cada vez mais fortalecidos.
Embora lembre que um dos maiores desafios encontrados por países que pretendem atuar ou já estão inseridos no mercado brasileiro seja a burocracia, a cônsul afirma que, no caso da Noruega, os empresários vêm conseguindo se adaptar à economia local e ampliar os negócios.
Ela também chama a atenção para a importância da criação, no Brasil, do programa federal Ciências sem Fronteiras para estreitar laços socioeconômicos entre o País e outras nações. A quantidade de jovens brasileiros estudando na Noruega e vice-versa, diz Helle, está mais expressiva.
Balança comercial
Segundo dados do Centro Internacional de Negócios (CIN), da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec), de janeiro a outubro deste ano, o Ceará importou da Noruega US$ 148,40 milhões e exportou apenas US$ 1,25 milhão, um saldo negativo de US$147,1 milhões.
Entre os principais produtos importados estão: gás natural e liquefeito; polietileno; medicamentos; e bolsas. Na lista das mercadorias exportadas figuram: couro; bovinos; calçados; sucos; dentre outros itens.
Na opinião do cônsul da Noruega em Fortaleza, Marcos de Castro, as relações econômicas do Ceará com a Noruega podem transcender o setor do turismo. Mas, para que isso aconteça, ele diz que é preciso haver um interesse mútuo, tanto do empresariado e governo noruegueses quanto do empresariado e governo cearenses.
Potencial
“Ela (a cônsul) veio a Fortaleza testemunhar o potencial econômico do nosso Estado, que tem de dar contrapartida. Vale lembrar que a Noruega possui know-how em diversas atividades que podem ser exploradas em solo cearense, a exemplo da construção de estaleiros, da maricultura e do beneficiamento de minério”, afirma Marcos, que acompanha a vista de Helle Klem à Capital. A cônsul, que mora há três anos e meio no Rio de Janeiro, deverá vir a Fortaleza posteriormente, em uma visita oficial, para reuniões com representantes do governo estadual e da indústria cearense.