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Diretor de navegação da companhia disse que principais opções serão metanol e bunker convencional, com possibilidade de retrofit futuro para amônia ou GNL
O diretor de navegação da Vale, Rodrigo Bermelho, disse, na última terça-feira (30), que a nova geração de navios classe Guaibamax vai incorporar as melhores tecnologias já testadas, não somente as velas rotativas, que ficaram bastante conhecidas no setor. Ele adiantou que essa geração será dual fuel (multi combustível), com opções tanto de metanol quanto de bunker convencional. A empresa optou pela flexibilidade de combustíveis, seguindo tendência mundial num cenário em que ainda existem diferentes linhas de pesquisas sobre combustíveis menos poluetes a serem adotados nas próximas décadas.
“No passado, projetamos o navio que poderia usar GNL [gás natural liquefeito]. Esse navio [nova geração] vai usar metanol ou bunker. Ele é projetado desde o começo para um retrofit futuro de amônia ou GNL, caso seja preciso. Essa flexibilidade permite tomarmos ações concretas e agir agora”, afirmou Bermelho, durante o seminário ‘Transição Energética no Mar: Desafios e Oportunidades para o Brasil’, promovido pelo BNDES, em parceria com a Fundação Getúlio Vargas (FGV) e a Marinha do Brasil, no Rio de Janeiro (RJ).
A promessa é que a nova geração de navios Guaibamax (VLOC), de 325 mil toneladas de capacidade, vai incorporar o estado da arte em tecnologias de redução de emissões de gases de efeito estufa (GEE), sendo 14% mais eficientes do que a geração anterior e podendo atingir até 90% de redução de emissões quando for utilizado metanol verde. A Vale tem como metas globais, de escopo 1 e escopo 2, de reduzir emissões em 33%, até 2030, e zerar as emissões líquidas de escopo 1 e 2 até 2050.
Bermelho afirmou que a empresa os mineraleiros de grande porte (Valemax) introduzidos em 2010 incorporaram diversos aspectos de eficiência operacional, como o transporte dedicado de minério, altas taxas de carregamento e amplas escotilhas para estivagem da carga. Ele destacou que em sete anos, da primeira para a segunda geração, a empresa melhorou em 15% a eficiência energética, incorporando tecnologias disponíveis.
O diretor de navegação lembrou que o projeto começou a ser pensado há 10 anos e já havia sido projetado um compartimento para combustível alternativo. “As regras para uso de combustível alternativo ainda não estavam prontas, estávamos discutindo com as sociedades classificadoras e já visualizávamos o futuro do uso desses combustíveis”, ressaltou. Apesar das gerações de navios eficientes, existe um entendimento que os desafios das ambições de descarbonização até 2050 são grandes para serem atingidos somente com ações de eficiência energética.
A Vale apostou em seu programa de pesquisa e desenvolvimento (P&D) para mapear e acelerar a maturidade das tecnologias verdes e identificar oportunidades de competitividade e melhoria do negócio. Além de traçar a rota de descarbonização e da economia de escala com uso de grandes navios, a empresa entendeu que era necessário ir atrás de eficiência energética e permitir uso de combustíveis alternativos, assim como encontrar soluções inovadoras e disruptivas em paralelo.
O diretor de navegação da Vale contou que todos os navios da frota contam com sistemas de coleta de dados de alta frequência. Bermelho mencionou que já existem quase três anos de coleta de dados e aprendizado a respeito das velas rotativas, que não é a única que a empresa vem testando. Ele também citou sistemas de lubrificação a ar, inversores de frequência, dispositivos hidrodinâmicos e diversos tipos de tintas aplicadas.
Os sistemas de dados de alta frequência permitem monitoramento em tempo real do desempenho dos navios com tecnologias e a validação dos ganhos que a Vale prevê em modelos computacionais. Nele é possível estabelecer, por exemplo, os parâmetros dos portos, dos tipos de navios, portfólio de tecnologia, metas de redução que a empresa pretende atingir.
“O modelo roda cenários e traz custo e emissões atingidas. Não existe uma resposta, ele roda vários cenários para ter sensibilidade do que faz diferença. Esse modelo retroalimenta próximos passos de pesquisa, onde vale a pena investir esforços e recursos no horizonte de 30 anos para atingir as metas colocadas. E orienta estratégias de investimentos”, detalha Bermelho.
Fonte: Revista Portos e Navios