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Clippings - 22/02/19

Nova Suzano mira sinergias e já discute opções de crescimento

A Suzano S.A., constituída em janeiro a partir da fusão da Suzano Papel e Celulose e da Fibria, nasceu com números expressivos: receita líquida perto de R$ 32 bilhões em 2018, R$ 12,5 bilhões de geração operacional de caixa – quase o dobro do que teria sido registrado em 2017 -, resultado antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado de R$ 16,4 bilhões e produção de 11,5 milhões de toneladas de celulose e papel.

Os resultados pro forma, não auditados e divulgados ontem junto com os balanços das duas companhias no quarto trimestre, dão a dimensão do que é a “nova” Suzano, tanto do ponto de vista de relevância no mercado global quanto dos desafios que vêm junto com a escala. Neste momento, diz o presidente Walter Schalka, o foco está na unificação da cultura das duas empresas e captura de sinergias, que podem chegar a R$ 15 bilhões conforme a previsão de analistas. Mas opções de crescimento já estão sendo discutidas.

“A partir do fechamento da transação, começamos a trabalhar em alocação de capital. Crescimento orgânico é uma das vertentes, mas não a única delas”, disse Schalka ao Valor. A alavancagem atual de 3,2 vezes em reais, considerada a dívida líquida de R$ 52,2 bilhões tomada principalmente para fazer frente à operação, e a política financeira da companhia, porém, impõem alguma cautela neste momento, ponderou o executivo. No campo das sinergias, desde 14 de janeiro já há captura de ganho em determinadas áreas.

Há ainda outros temas que requerem atenção. A Suzano quer unir processos e sistemas ainda neste ano e promover a incorporação societária com vistas a operar com um único CNPJ.

Do lado financeiro, a companhia captou US$ 750 milhões no início deste ano com a emissão de bônus no mercado internacional e negocia a contratação de uma linha na modalidade “stand by”, no valor de US$ 500 milhões, com um grupo de bancos internacionais. “É importante para fins de manutenção de liquidez e para podermos reduzir a posição de caixa”, explicou o diretor financeiro e de Relações com Investidores, Marcelo Bacci.

Considerando-se as operações já firmadas em 2019, a posição de caixa da Suzano neste momento é de R$ 9,9 bilhões, considerada excessiva mas um reflexo das oportunidades que surgiram no mercado. Ao longo dos próximos meses, essa posição poderá ser usada para redução de dívidas mais caras e em algum momento cair a menos de R$ 5 bilhões, o que corresponderia ao caixa estrutural da Suzano S.A..

Do lado operacional, o maior desafio da “nova” companhia neste momento é o mercado global de celulose e a gestão de seus estoques ao longo da cadeia – a Suzano sabe que grande parte da variação dos inventários globais no início deste ano corresponde a volumes que estão em suas mãos – em um momento de pressão de preços sobretudo na Ásia. Para evitar novas quedas de preço, e tentar reequilibrar o mercado, a companhia deve cortar em 50% os embarques para o mercado asiático ao longo deste primeiro trimestre, em relação ao volume apurado no quarto trimestre.

De acordo com o diretor de celulose da companhia, Carlos Aníbal, a combinação de embarques menores e retomada na demanda, com o retorno esperado das compras após o Ano Novo Lunar na China, deve fazer com que os estoques nos portos caiam e o mercado fique mais equilibrado. A Suzano já havia sinalizado que aumentaria a capacidade de armazenagem em suas fábricas e nos portos brasileiros, estratégia que deve ser colocada em marcha com a redução das vendas à Ásia. Não foi informado se essa medida resultará também em redução da produção de celulose no trimestre.

“Estamos confiantes nos fundamentos do mercado nos próximos anos. No curto prazo, vemos uma condição mais favorável, com paradas programadas e recuperação da demanda”, afirmou Aníbal. Os próximos meses serão marcados por paradas importantes em fábricas da própria Suzano e que eram da Fibria. “A perspectiva é muito positiva para os próximos anos. A demanda deve continuar crescendo entre 1,3 milhão e 1,5 milhão de toneladas”, acrescentou.

 

Fonte:  Valor Econômico (SP)