O Brasil teve apenas seis poços com novos indícios de óleo e gás no offshore em 2016, menor quantidade desde 1998. O número representa uma queda de 74% em relação aos 23 poços com indícios de 2015. Nenhum poço pioneiro marítimo foi perfurado ao longo de todo o ano passado, fazendo com que os novos indícos tenham vindo de fases de avaliação, em sua maioria, durante a campanha de Libra, na Bacia de Santos.
Além de Libra, com quatro novos poços que resultaram em indícios positivos para óleo ou gás, houveram apenas duas outras campanhas offshore: a avaliação de Pão de Açúcar, no BM-C-33, e o primeiro poço da revitalização do campo de Albacora, ambos na Bacia de Campos.
O número de novos indícios offshore já está em queda desde 2012, após o recorde de 65 registros em 2011, ano beneficiado pelo barril em alta – além de o Brent ter atingido o maior valor desde a crise de 2008, foi registrada uma média anual acima de US$ 110/barril – e pela oferta quase ininterrupta de áreas na década anterior, quando foram feitos oito leilões de blocos exploratórios.
Em 2011, a maioria dos poços com indícios foi perfurado na Bacia de Campos, região que recebeu campanhas de perfuração operadas por companhias como OGX, Repsol Sinopec, BP, Sonangol e Statoil, além da própria Petrobras. A realidade na época cria um forte contraste em relação a 2016, quando apenas Petrobras e Repsol Sinopec (Pão de Açúcar) realizaram campanhas que resultaram em indícios – o ativo da Repsol Sinopec será operado pela Statoil.
Terra
Já em terra, os poços com indícios em 2016 se estenderam pelas bacias Parnaíba, Potiguar, Recôncavo, Sergipe-Alagoas e Parecis. Ao todo, 11 poços onshore tiveram registros no ano, menor quantidade desde 2003, antes da primeira rodada de acumulações marginais, em 2005, quando a maior parte das campanhas ainda era realizada pela Petrobras.
As companhias com campanhas terrestres de sucesso em 2016 foram a PGN, Petrobras, Tek, Galp e Imetame, a maioria com atividades de exploração previstas nos blocos arrematados na 11ª e na 12ª Rodada ou campanhas de avaliação.
Ao todo, foram notificados 23 novos indícios em 2016, nove no mar e 14 em terra, mas, em alguns casos, foram feitos mais de um registro durante a mesma perfuração, o que indica a presença de fluidos em diferentes sessões ou a identificação de petróleo ou gás mediante testes posteriores à perfuração. Os dados levam em conta as notificações disponibilizadas pela ANP até o dia 3 de janeiro.
A notificação de indício, contudo, não significa a confirmação de novas descobertas. Além da possibilidade de estarem relacionadas à descobertas existentens, como no caso de perfurações para delimitação da jazidas ou de re-exploração em ativos em produção, indícios podem ser encontrados em poços posteriormente reclassificados como secos, como quando não há migração de fluidos das rochas geradoras e formação de reservatório.