A CCR, controlada pela Andrade Gutierrez, Camargo Corrêa e Soares Penido, venceu a concessão da BR-163 em Mato Grosso do Sul (MS) com uma tarifa de R$ 4,38 a cada 100 quilômetros, deságio de 52,74% em relação ao teto fixado pelo governo, e tem agora no portfólio um ativo desafiador. O grupo tem investimentos de R$ 13,3 bilhões previstos em três concessões conquistadas recentemente, todas com 30 anos de duração.
Somente na BR-163 o investimento soma R$ 5,7 bilhões ao longo do prazo de concessão. No último mês, a empresa conquistou o aeroporto de Confins (MG), que exige investimentos de R$ 3,7 bilhões também em 30 anos (neste caso, a CCR está em consórcio e a estatal Infraero banca metade dos aportes totais). Além disso, ainda neste ano, levou o projeto do metrô de Salvador, que exigirá R$ 3,9 bilhões, também com participação do setor público.
Mesmo com as parcerias e os recursos públicos envolvidos, tantos projetos vão elevar o endividamento da CCR. A dívida líquida consolidada atingiu R$ 6 bilhões no fim do terceiro trimestre, e a relação da dívida líquida sobre Ebitda (geração de caixa) em 12 meses era de 1,9 vez. Agora, com Confins e BR-163, a empresa está se aproximando do limite de três vezes.
Ainda deve haver espaço para pelo menos mais uma rodovia, segundo o diretor de novos negócios da CCR, Leonardo Vianna. Ele já afirmou anteriormente que os acionistas poderiam elevar a limitação. Vianna disse que 70% dos investimentos serão financiados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e que os 30% restantes serão de capital próprio, sem dívida.
De acordo com Vianna, o grupo começou em 2010 a acompanhar a BR-163 e, por isso, conhece o tráfego da região há três anos. Ele disse que realizou um estudo exatamente dentro dos padrões que usa para qualquer outro do tipo, e que acredita no potencial da região.