Tínhamos feito estudo desta rodovia em 2010 e 2011. Diferentemente das outras companhias, temos histórico de tráfego da [BR] 163 nos últimos três anos e conseguimos ver sua evolução. Aquela região do Mato Grosso do Sul tem crescido mais do que no resto do país, e a rodovia tem potencial de crescimento grande, disse o executivo, em coletiva de imprensa.
Para Vianna, esse é o lote mais desafiador para a companhia em termos de volume de duplicação. Em termos de volume de investimento concentrado é, sem dúvida. Serão 806 quilômetros de duplicação em cinco anos de contrato. Nesse prazo, o governo calcula que devem ser investidos R$ 3,4 bilhões pela iniciativa privada.
Lá tem uma particularidade que nos favoreceu fazer uma proposta desse patamar. A dificuldade de engenharia é zero. É um plano em não tem serra e não tem rocha. Então em termos de engenharia você não tem nenhuma dificuldade, disse. Segundo ele, são poucas as desapropriações e já há licenciamento para os 10% iniciais da obra – cuja conclusão é necessária para iniciar a cobrança de pedágio.
Vianna afirmou que a CCR pode adiantar a cobrança de pedágio em relação à estimativa do governo, que é de 18 meses após a assinatura do contrato, e disse que a licença ambiental para essas obras já foi liberada.
Vianna afirmou que tem interesse na BR-040 (entre Juiz de Fora, em MG, e Brasília), última concessão do ano, e que Minas Gerais é importante para o grupo. Vamos participar de novo, dentro de nossa política de disciplina de capital. A BR-040 é um projeto bastante interessante. Minas Gerais é interessante, temos uma estratégia de estar no Estado. Ele disse que a avaliação sobre a BR-040 será independente do aeroporto de Confins (MG), conquistado pela companhia em novembro, pois não há sinergias com a rodovia.
O contrato da BR-163 no Mato Grosso do Sul vai durar 30 anos. O edital prevê a execução dos serviços de duplicação, recuperação, manutenção, conservação, operação, implantação de melhorias e ampliação de capacidade de 847,2 km da rodovia. Ao longo de toda a duração da concessão, os investimentos estão previstos em R$ 6,4 bilhões.
No quinto ano de concessão, o BofA estima que a rodovia gere receitas de R$ 390 milhões e lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) de R$ 190 milhões, representativos de 3,8% do faturamento e 3,5% do Ebitda obtido pela CCR no mesmo perãodo. Segundo relatório assinado por Sara Delfim, Murilo Freiberger e Roberto Otero, o valor presente líquido da operação da BR-163 poderia chegar a R$ 800 milhões, aumentando o resultado da companhia em 3%.
Para o analista Bruno Di Giacomo, da Fator Corretora, a CCR não era uma das favoritas para arrematar o trecho, visto o favoritismo da Odebrecht pela sinergia natural com o trecho BR-163 MT. Acreditávamos que a Odebrecht detinha uma vantagem competitiva tanto no aspecto sinérgico quanto a um possível estudo mais aprofundado sobre a via, visto o deságio oferecido no trecho BR-163 MT, diz ele. De maneira geral, vemos como positivo para a CCR vencer o leilão da BR-163 MT dado o expertise e reconhecimento na entrega de resultados em concessões rodoviárias.