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Clippings - 23/06/20

Novos shuttle tankers vão atualizar frota e ajustá-la à expansão do pré-sal

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Divulgação AET

O Brasil continua a ganhar protagonismo no mercado de navios aliviadores do óleo armazenado nas plataformas de produção (shuttle tankers). A Petrobras afirma que está investindo e preparando sua infraestrutura logística para o aumento da produção de petróleo nos próximos anos devido à alta produtividade apresentada pelos campos do pré-sal. No começo do mês, a companhia recebeu, em Singapura, o Eagle Petrolina (foto), primeiro de uma série com quatro navios contratados junto à AET Tankers para atender à demanda de longo prazo em operações de escoamento de óleo das plataformas (offloading). A previsão é que o navio chegue ao Brasil no início de julho para operar na Bacia de Santos. As demais embarcações serão entregues, respectivamente, em julho, agosto e outubro.

No início do ano, a Petrobras contratou outros três navios-tanque com o mesmo objetivo, com entrega prevista para 2022. “Até essa data, parte dos contratos vigentes com navios DP (posicionamento dinâmico) da frota atual se encerrarão. A contratação dos novos navios também atenderá à recomposição da frota”, informou a companhia. A estatal frisou que mantém padrões internos de aceitação e operação dessas embarcações alinhados com as práticas internacionais.

Os navios tipo DP2, exigidos pelas grandes operadoras, são dotados de equipamentos adicionais em sua construção em relação aos navios convencionais, com objetivo de conferir maior capacidade de manter posição e de facilitar as manobras, permitindo execução de operações de offloading em plataformas e FPSOs de maneira segura. “Esses equipamentos de propulsão, geração de energia e sistemas de referência, todos comandados e controlados por computador com auxílio de sistemas por satélite, de modo a manter o navio na mesma posição, em qualquer situação de mar e tempo, tornam a construção do mesmo mais complexa e com maiores exigências de aprovação”, explicou a companhia.

Como a construção de navios DP2 é especializada, normalmente eles são fabricados para utilização em algum projeto específico, por períodos entre 10 a 20 anos. Em abril, a frota mundial era constituída por um total de 86 navios, todos contratados e operando para diversas empresas. Desses, 34 navios operam no Brasil, 26 no Mar do Norte e os demais distribuídos em diversos polos: Estados Unidos, Canadá, Rússia, África e América Central. A Petrobras tem conhecimento de 21 projetos em andamento.

Segundo dados da DNV-GL, de julho de 2019, existem 86 navios em serviço e 17 já encomendados, com entregas previstas para 2021. Os tamanhos dos navios variam de 35 mil a 170 mil dwt, com a maior parte na categoria de 140 mil a 160 mil dwt, tamanhos característicos de águas brasileiras. Parte dos shuttle tankers que irão operar em águas brasileiras vai substituir navios com sistema de posicionamento dinâmico sem redundância (DP1). Os requisitos das grandes operadores (oil majors), inclusive Petrobras, definem como padrão mínimo navios tipo DP2. O gerente de desenvolvimento de negócios da DNV-GL para América do Sul, Jonas Mattos, considera que esta substituição, por si só, não acarretaria em crescimento da frota. Porém, com o aumento da produção offshore e com a instalação de novas FPSOs, torna-se necessário também aumentar a frota dos navios aliviadores.

Eliana Lazarini, da Inside Consultoria, explicou que, conforme a procura por petróleo chega a águas cada vez mais profundas ou mais remotas, uma demanda contínua e crescente por serviços dessas embarcações altamente sofisticadas tende a crescer em um futuro bem próximo. Prova disso, segundo a consultora, são os recentes contratos firmados pela Petrobras para integrar sua frota e atender a demanda de longo prazo em operações de escoamento de óleo das plataformas que terá sua capacidade aumentada em, aproximadamente, 195 mil barris de petróleo dia em 2022. Para Eliana, o aumento da produtividade pelos campos de pré-sal demanda aquisições em infraestrutura logística que atendam futuras necessidades da estatal que já se adianta, preparando terreno. “Atualmente, a bacia brasileira é uma das principais áreas do mundo para operações de DPSTs e substituiu o Mar do Norte como o maior mercado para operações de navios-tanque”, analisou a consultora.

As empresas de petróleo no Brasil preveem até 14 FPSOs sendo instalados até 2023, o que exigirá um grande número de navios-tanque para descarga. A Petrobras segue como maior player do mercado brasileiro. A Transpetro, sua subsidiária, opera 14 navios-tanques sob afretamento temporário para a Petrobras, movimentando petróleo bruto das FPSOs em direção aos terminais. A empresa planeja atualizar sua frota de navios-tanque com as novas embarcações DP2 Suezmax.

Mattos, da DNV-GL, considera a oferta de shuttle tankers limitada e compondo uma frota relativamente pequena. Para o gerente de desenvolvimento de negócios da classificadora para América do Sul, o Brasil será cada vez mais o maior mercado desta embarcação. “Com o crescimento da produção offshore demandando frota DP2, a tendência é gerar a necessidade de novas construções, o que, no momento, está concentrado na Ásia”, comentou.

Fonte: Revista Portos e Navios