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Clippings - 17/03/23

Noxis Energy planeja mais duas refinarias no Nordeste

Foto: César Duarte/Agência Petrobras

A Noxis Energy, que já tem licença para construir uma refinaria no Porto de Pecém, no Ceará, mira outros dois projetos de refino, do mesmo porte – um no sul da Bahia e outro em Sergipe. As refinarias devem focar na produção de combustível marítimo, entre bunker e diesel nas especificações definidas recentemente que valerão a partir de 2025.

A refinaria da Bahia será localizada em Ilhéus, no porto em construção pela Bahia Mineração (Bamin), afirmou o diretor de Logística (COO) da Noxis Energy, Gabriel Debellian, ao PetróleoHoje . A unidade deverá refinar petróleo do campo de Búzios a partir da parcela que cabe à CNOOC, sócia da Petrobras no pré-sal. A Noxis Energy já tem carta de intenção com a petroleira chinesa para fornecimento de petróleo, inicialmente para o projeto de refino que está desenvolvendo no Ceará.

A Bamin está construindo um novo corredor de integração e de exportação para a mineração e para o agronegócio, com investimentos da ordem de R$ 20 bilhões nos projetos que incluem mina e soluções de logística, inclusive o Porto Sul, em Ilhéus, em construção. Também está previsto um trecho de ferrovia com 537 km de extensão. A previsão é que porto e ferrovia estejam prontos em 2026.

Para a refinaria de Sergipe, a Noxis Energy vai tentar comprar o petróleo que será produzido localmente pela Petrobras. Assim como na unidade de Pecém, a refinaria terá capacidade para processar 100 mil bpd e produzirá óleo combustível com 0,5% de enxofre, diesel marítimo com 0,1% de enxofre, GNV e GLP.

“O petróleo produzido nos campos brasileiros, em sua vasta maioria, é exportado para ser refinado em plantas que estão distantes e depois os produtos são importados dessas mesmas refinarias também de longe. Veja a economia de custos ao se refinar o petróleo aqui mesmo no Brasil”, defende o executivo.

Indagado sobre a destinação dos produtos, se serão voltados à exportação, o executivo afirma que terá sempre a alternativa de exportar, “mas isso não será uma obrigação”.

O cenário é favorável para a produção de bunker no Brasil. Em 2020, entrou em vigor a nova especificação do bunker marítimo, por determinação da International Maritime Organization (IMO), reduzindo o teor máximo de enxofre permitido para 0,5%. Uma vez que o petróleo brasileiro é, em grande parte, caracterizado por apresentar baixo teor de enxofre, o seu processamento para a produção de bunker se tornou uma oportunidade comercial.

“A maioria das refinarias brasileiras foi projetada para refinar petróleo leve do Oriente Médio. Nas décadas de 1950 e 60, o Brasil não produzia petróleo, importava dos árabes. Daí a necessidade de se exportar o petróleo brasileiro e importar o petróleo árabe. Nossas refinarias estão sendo projetadas para refinar o petróleo brasileiro”, conclui Debellian.

Fonte: Revista Brasil Energia