Divulgação Nuclep
Empresa afirma que etapa vai possibilitar que engenheiros, técnicos e operários realizem testes, antes de aplicá-las definitivamente nas fases seguintes do projeto
A Nuclebrás Equipamentos Pesados (Nuclep) iniciou a preparação da obra de seção de qualificação do primeiro submarino de propulsão nuclear do Brasil (SN-BR), em parceria com a Itaguaí Construções Navais. O projeto completo faz parte do Programa de Desenvolvimento de Submarinos (Prosub) da Marinha do Brasil, que prevê outras quatro unidades de propulsão convencional (diesel-elétrica).
O presidente da Nuclep, contra-almirante Carlos Henrique Silva Seixas, destacou que essa primeira etapa visa possibilitar que engenheiros, técnicos e operários realizem suas atividades em fase de testes, antes de aplicá-las definitivamente nas etapas seguintes do projeto.
“Construímos o bloco 40 [parte inferior do reator nuclear do Laboratório de Geração Nucleoelétrica – Labgene], que corresponde à seção onde vai ficar alojado o reator de propulsão nuclear do futuro submarino. Posteriormente, vamos construir os cascos dele”, informou Seixas à Portos e Navios. Por causa da sua função de resfriamento, esse bloco é considerado crucial para a segurança em situações de emergência, durante a operação do reator.
O Labgene, por sua vez, foi concebido como um protótipo em terra dos sistemas de propulsão que serão instalados no SN-BR, visando simular a operação do reator e dos demais sistemas eletromecânicos integrados a ele, antes de sua instalação no submarino. Futuramente, esse laboratório pode servir de base para outros projetos de reator nuclear de potência, no Brasil.
Em todo o mundo, apenas seis países possuem algum tipo de submarino militar nuclear: China, Estados Unidos, França, Índia, Reino Unido e Rússia. “Isso é inédito para nós, pois vamos entrar em um rol muito seleto de nações construtoras de submarinos em geral e, agora, de submarino de propulsão nuclear”, enfatizou o presidente da Nuclep.
No início de julho, a Nuclep entregou o fornecimento dos novos equipamentos estratégicos para o protótipo em terra e escala real do SN-BR, à Diretoria de Desenvolvimento Nuclear e Tecnológico da Marinha (DDNM) e ao Centro Tecnológico da Marinha em São Paulo (CTMSP), que também estão envolvidos com o projeto.
Segundo a empresa, a conclusão desse fornecimento foi consolidada, no dia 1º de julho, com a entrega dos databooks dos seis vasos do sistema de resfriamento de emergência do Labgene, sendo dois trocadores de calor (TC1 e TC2), dois vasos acumuladores (VP3 e VP4) e dois tanques de inundação (VP5 e VP6), concluindo sua parte no contrato junto ao DDNM e CTMSP.
No dia 14 deste mês, uma comitiva de autoridades da Marinha foi recebida pela Nuclep, em sua sede na cidade de Itaguaí, na região metropolitana do Rio de Janeiro. “A visita da Cogesn (Coordenadoria-Geral do Programa de Desenvolvimento de Submarino com Propulsão Nuclear) demonstra a importância estratégica da Nuclep no programa nuclear da Marinha e no Prosub. Anos atrás, nós construímos os cascos de outros quatro submarinos, que já foram devidamente entregues”, comentou Seixas.
O SN-BR possui vantagens extras em comparação aos modelos convencionais de submarinos, considerando que a propulsão nuclear imprime maior velocidade à embarcação e gera maior energia pela quebra de núcleos atômicos, dispensando o oxigênio necessário para a queima do diesel. De acordo com a Marinha do Brasil, ele terá mais autonomia e navegação, por não ser forçado a emergir, periodicamente, para reabastecimento de oxigênio.
A tecnologia de produção do combustível e desse sistema de propulsão nuclear está sendo desenvolvida pelo Centro Tecnológico da Marinha, em São Paulo. O SN-BR receberá o nome de “Almirante Álvaro Alberto”, em homenagem ao oficial brasileiro que iniciou o desenvolvimento da ciência nuclear em curso no Brasil, além de ser o fundador do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).
Fonte: Revista Portos e Navios
