Nos primeiros quatro anos de atividade, a OAS Soluções Ambientais, empresa do grupo OAS criada para tratamento de água, esgoto e efluentes, fechou dois contratos municipais, em Guarulhos e Araçatuba. Agora, ela prepara um salto considerável e disputa cinco concessões em quatro Estados.
Com meta de atingir receita anual de R$ 700 milhões em 2017, a companhia estima terminar o ano com faturamento de R$ 90 milhões, segundo disse Louzival Mascarenhas, diretor superintendente da empresa, ao ValorPRO, serviço de tempo real do Valor. A receita prevista para este ano é 30% superior aos R$ 60 milhões de 2013.
Para multiplicar a receita em quase oito vezes, a companhia manterá seu foco em clientes públicos, ao menos nos primeiros anos, diz Mascarenhas.
A maior operação disputada pela companhia será o projeto de Belém (PA), para atender três cidades da região metropolitana e também a capital paraense, abrangendo 2 milhões de pessoas. O contrato está estimado em R$ 3,7 bilhões, segundo Mascarenhas.
Os outros projetos que a empresa está estudando são para serviços de água, esgoto e efluentes em Vila Velha (ES), Montes Claros (MG), Sete Lagoas (MG) e Catanduva (SP). Juntos, os contratos podem somar R$ 1,5 bilhão.
Em Guarulhos, a companhia assumiu em maio a concessão para serviços de esgotamento sanitário, com a previsão de construção de três estações de tratamento e investimentos de R$ 1,1 bilhão em 30 anos, sendo R$ 600 milhões até 2017. Seu objetivo é coletar e tratar 80% do esgoto da cidade. Atualmente, o serviço abrange apenas 15% do total.
No fim de 2013, a OAS assumiu, também por 30 anos, a concessão dos serviços de água e esgoto em Araçatuba, com investimentos previstos em R$ 370 milhões.
Com as duas operações e 340 funcionários, o faturamento da companhia ainda está distante da meta e representa apenas 1% do total do grupo, que teve receita bruta de R$ 8,9 bilhões em 2013, 39% acima dos R$ 6,4 bilhões de 2012.
Mascarenhas diz que seria necessário o aumento do número de Parcerias Público-Privadas (PPP) no país para que a companhia possa trabalhar em mais municípios. Segundo dados da Associação Brasileira de Concessionárias Privadas de Serviços Públicos de Água e Esgoto (Abcon), há apenas 66 são contratos de PPPs em saneamento no Brasil.
Mascarenhas defende o aumento das subdelegações e subconcessões como formas de elevar os investimentos no setor. Com a subdelegação, companhias estaduais de saneamento delegariam, total ou parcialmente, a operação dos serviços de saneamento. “Hoje as estatais têm cerca de 70% do mercado e poderiam subdelegar a exemplo do que fez a Saneago, em Goiás”. A empresa goiana subdelegou à iniciativa privada os serviços de esgoto em quatro municípios.