O governo americano ficará muito aquém da sua meta de dobrar as exportações entre 2010 e 2014, mas espera garantir uma vitória de longo prazo no comércio exterior ao assinar acordos novos e abrangentes em dois anos.
A fraqueza da economia global merece parte da culpa pelo fracasso no objetivo de dobrar as exportações nos cinco anos terminados em 2014, meta apresentada pela primeira vez pelo presidente Barack Obama no seu discurso sobre o Estado da União de 2010. A preocupação com o crescimento mundial também pode definir se os EUA e seus parceiros comerciais vão prosseguir e fechar acordos, ou recuar diante das questões de política interna e de perda de empregos em setores sensíveis.
No fim de semana, Obama se reuniu com os líderes do G-20 para discutir formas de estimular o crescimento, que voltou a decepcionar na Europa e Japão. Para os EUA, um dos objetivos de elevar as exportações é reanimar a indústria e diminuir a dependência do consumo como motor da expansão.
Os EUA e a União Europeia anunciaram negociações comerciais no início do ano passado, na tentativa de incentivar o crescimento sem alterar as políticas tributária e de gastos públicos. O Japão considera um acordo separado na Ásia e Oceania como parte de suas iniciativas para trazer eficiência a setores estagnados.
O governo Obama está promovendo a perspectiva de ganhos na exportação (e nos empregos industriais resultantes) para angariar apoio às negociações da Parceria Transpacífica, que inclui o Japão e países do Pacífico, bem como para o acordo com os europeus. Os acordos comerciais são vistos como uma área da economia em que o presidente, de modo geral, concorda com os republicanos do Congresso, os grandes vitoriosos das eleições deste mês. “Para garantir que o TPP seja um sucesso, temos que garantir que todo o nosso povo compreenda os benefícios que terá – que [o acordo] significa mais comércio, empregos bons e renda mais alta para as pessoas em toda a região”, disse Obama semana passada, na China.
Com a demanda fraca prejudicando o comércio com alguns dos principais parceiros dos EUA, as exportações americanas como um todo permanecem muito abaixo da meta de dobrarem num perãodo de cinco anos. Totalizaram US$ 1,2 trilhão nos primeiros nove meses do ano, alta de 59% frente ao mesmo perãodo de 2009, segundo o Departamento de Comércio. Nesse ritmo, as exportações dobrariam só em meados de 2017, no mandato do sucessor de Obama.
“Se as peças se encaixarem, isso vai demorar um pouco, mas penso que o impacto combinado de novos acordos com a Ásia e a Europa levará a resultados o positivos para os EUA nos próximos anos, embora não em 2015”, diz Miriam Sapiro, ex-vice-representante de comércio de Obama e que hoje trabalha no Brookings Institution.
Algumas poucas áreas superaram as expectativas. Numa tendência que poucos no governo poderiam ter previsto, as exportações de petróleo, carvão e produtos relacionados triplicaram ao longo desses cinco anos com o impulso à produção dado pelo boom do petróleo e gás de xisto. As exportações totalizaram US$ 124 bilhões nos primeiros nove meses do ano.
O aumento das exportações de combustíveis fósseis, sobretudo de produtos petrolíferos refinados, ocorreu mesmo com os EUA limitando a venda de petróleo bruto e outras fontes de energia. “Ironicamente, essa é a única área importante que o governo tem desencorajado”, diz John Felmy, economista-chefe do Instituto de Petróleo da América, associação do setor.
Ao mesmo tempo, um empecilho econômico ao comércio exterior dos EUA neste ano tem sido a valorização do dólar, que torna os produtos americanos menos competitivos no exterior. Fabricantes da indústria automotiva querem que os acordos tenham cláusulas que impeçam os países de manter suas moedas artificialmente baixas para incentivar as exportações.
“Precisamos que o governo tome uma atitude em relação ao câmbio”, diz Matt Blunt, ex-governador do Estado de Missouri pelo Partido Republicano (de oposição) e líder do Conselho Americano de Política Automotiva, que representa as grandes montadoras de Detroit. Blunt estima que as exportações americanas de automóveis e autopeças vão dobrar em cinco anos. Dados do Departamento de Comércio mostram que as vendas de carros estão num ritmo que lhes permitirá dobrar neste ano em relação a 2009, ano em que a General Motors Co. entrou em recuperação judicial em meio à crise financeira.
Os acordos comerciais não se aprofundaram nas questões cambiais. Em vez disso, se concentraram em quebrar barreiras em longas negociações, setor por setor.
No intuito de finalizar os acordos e obter eventuais ganhos com os novos tratados com países estrangeiros, o governo Obama precisará da aprovação do Congresso, provavelmente com a ajuda de uma legislação especial que facilita a passagem de acordos comerciais pela Câmara e o Senado.
As vitórias dos republicanos nas eleições de meio de mandato deverão ajudar a aprovação do procedimento acelerado de votação dos acordos, o “fast track”, já que o partido apoia iniciativas de comércio exterior que favorecem empresas.