
A Novonor deixará o controle acionário da Ocyan, seu braço na área de óleo e gás, com atuação nos segmentos de perfuração, FPSO, manutenção e subsea. Em uma iniciativa reservada, o grupo lançou teaser de venda da empresa, através de processo coordenado pela EY e o BNDES.
De acordo com fontes do PetróleoHoje, a entrega de propostas não vinculantes será recebida dentro de cerca de um mês. Batizado inicialmente com o nome de Projeto Berlim, o negócio visa vender 100% das ações da Ocyan.
O teaser do processo foi liberado há poucos meses, inicialmente sem mencionar o nome da Ocyan, trazendo apenas detalhes sobre o ramo de atuação e os ativos envolvidos na operação, além de informações do mercado. O documento de venda foi enviado a um grupo seleto de empresas nacionais e estrangeiras.
A operação de venda da Ocyan integra o processo estruturado de mudança de controle acordado com o BNDES há cerca de dois anos. No passado, as ações da Ocyan foram dadas como garantia ao BNDES no processo de renovação de dívidas.
Em um primeiro momento do processo de venda, a Ernest Young solicitou que as empesas confirmassem o interesse pelo negócio. Alguns grupos já sinalizaram interesse pela operação.
O grupo interessado terá que comprar a Ocyan de porteira fechada. Na prática, a empresa vencedora assumirá os negócios de serviços offshore de perfuração, produção, construção submarina e manutenção.
A Ocyan possui 50% de participação em dois FPSOs, o Pioneiro de Libra, em operação para a Petrobras, em Mero, no cluster de Santos, e o Cidade de Itajaí, em produção no campo de Baúna, para a Karoon, ambos em consórcio com a Altera. Na área de perfuração, a empresa mantém contrato de afretamento de cinco sondas de águas profundas, sendo quatro navios-sonda (Norbe VIII, Norbe, IX, ODN I e ODN II) e uma semissubmersível, a Norbe VI. As unidades de perfuração foram financiadas, a partir da reestruturação financeira ocorrida em 2017, e não integram mais a carteira de ativos da empresa.
O negócio envolverá também os contratos de Subsea e de Manutenção, além da base de Macaé e todo maquinário e ferramentas. Ao todo, o grupo conta, no momento, com mais de 15 contratos de serviço.
A Ocyan deve assinar novos contratos de afretamento com a Petrobras para três sondas, que tiveram menor preço em licitação recente. Se confirmado, os negócios assegurarão novos contratos de afretamento pelo prazo de 1.095 dias.
Como a entrega de propostas não firmes irá ocorrer apenas entre novembro e dezembro, a operação de venda irá se estender por 2023. O mais provável é que o negócio não seja finalizado antes do final do primeiro semestre do próximo ano.
Executivos consultados pelo PetróleoHoje consideram que a venda integral da Ocyan pode não ser uma operação fácil de ser viabilizada pelo fato de a companhia atuar entre três frentes de negócio distintas. Há incerteza se haverá disputa pela operação, tendo em vista que o comprador terá arrematar o controle acionário da companhia, mantendo uma atividade diversificada.
A depender da resposta do mercado ao teaser, não é descartada a possibilidade de a Novonor e o BNDES avaliarem a possibilidade de desdobrar a operação.
Fonte: Revista Brasil Energia