A executiva financeira da Odebrecht acredita que boa parte dos ativos ainda está em crescimento, um processo que deve ser concluído até 2016. Enquanto aguarda a consolidação da maioria dos negócios, algumas subsidiárias têm causado preocupação para os executivos da organização. O principal caso é o da Odebrecht Agroindustrial, que atua na produção e comercialização de etanol, energia elétrica e açúcar. O prejuízo dessa controlada em 2013 foi de R$ 1,3 bilhão. É um problema, diz Marcela.
A companhia sofre, nesse mercado, com a retirada da Contribuição de Intervenção sobre Domínio Econômico (Cide) sobre a gasolina e com outras medidas do governo federal para controle do preço desse combustível – o que faz o etanol se tornar menos competitivo. A dívida total da Agroindustrial foi de R$ 11 bilhões em 2013, o que representa 15% do total do grupo.
Você não acerta em todas. Mas, do ponto de vista estrutural, acho que vamos acertar na Agroindustrial. É uma questão de tempo, porque o etanol é necessário para a crise energética, afirma Marcela. Ela diz que o grupo não cogita a saída do negócio por enquanto.
A petroquímica controlada Braskem, que é responsável hoje por praticamente metade do faturamento da Odebrecht, também tem seus desafios. Recentemente, a companhia sofreu com a variação cambial: foram R$ 732 milhões de prejuízo líquido ao fim de 2012 por parte da subsidiária. No ano seguinte, o cenário da Braskem mudou e a petroquímica teve lucro de R$ 507 milhões.
Apesar de não ser vista com preocupação na organização, outra controlada, a Odebrecht Ambiental – de saneamento e gestão de resíduos – teve perspectiva de nota classificada como negativa pela agência de classificação de risco Fitch. Para os analistas, houve frustração com a perspectiva de alavancagem da companhia para os próximos anos. A companhia tem pela frente um ciclo de investimentos combinado a uma geração de Ebitda para projetos recém-adquiridos abaixo do esperado, diz texto divulgado pela agência.
Para 2014, a expectativa é que o crescimento continue, mas a executiva não diz quanto. Até 2016, os investimentos serão de R$ 34 bilhões (em 2013, foram R$ 12,8 bilhões). O montante segue a linha do informado pelo diretor-presidente do grupo, Marcelo Odebrecht, recentemente ao Valor. Na previsão desses investimentos, contam os aportes de sócios em subsidiárias e em projetos e ainda os financiamentos. No número, estão computados projetos já aprovados e parte dos que ainda passarão por avaliação. Mas será muito perto disso, diz Marcela.