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Clippings - 25/11/13

Odebrecht usa expertise para abrir 3ª pista e mantém busca por sócio

Uma sacada de engenharia contribuiu para a Odebrecht vencer, com folga, a concessão de 25 anos do aeroporto do Galeão, no Rio, oferecendo lance de R$ 19 bilhões no leilão de sexta-feira. Enquanto o projeto do governo exigia que a terceira pista do empreendimento fosse construída em um aterro, o que ainda demandaria tratamento químico do solo, a companhia conseguiu elaborar um plano em que esse custo se tornou desnecessário.

Segundo Paulo Cesena, presidente da Odebrecht TransPort (braço de concessões do grupo), o projeto alternativo economizará algumas centenas de milhões em investimentos e ajudou a companhia a ficar na frente dos concorrentes. No nosso plano, a terceira pista não precisa ser construída dentro da baia de Guanabara. Fizemos uma otimização no layout, diz ele. O risco ambiental dessas obras foi justamente o ponto mais criticado por alguns consórcios sobre o projeto do Galeão e impediu lances que promovessem a concorrência. Com a vitória, esse ativo passa a ser a prioridade para a companhia. Com certeza é nosso principal projeto.

Nesse negócio, ressaltou Cesena, agora o foco é Galeão. Temos que entregar [os investimentos]. Em fase de fortes desembolsos, o braço de atuação em transportes e logística da Odebrecht continua negociando com investidores locais e internacionais a injeção de mais capital na empresa.

Até agora, sua carteira exigia investimentos totais de R$ 25 bilhões. Esse valor dobra se levados em conta os investimentos para Galeão e para o metrô da linha 6-Laranja, em São Paulo, conquistada recentemente. A vantagem é que a companhia fica com apenas 20% do consórcio vencedor do metrô. E no aeroporto, os investimentos serão ao longo dos anos.

Além disso, a companhia está estimando um potencial de crescimento forte para o aeroporto carioca – o que também gera receitas e auxilia nos desembolsos. O governo estima que Galeão tenha 60 milhões de passageiros ao ano no fim da concessão (hoje são 17 milhões), mas a Odebrecht já projeta até 80 milhões no futuro.

Cesena vê os novos projetos com tranquilidade. Para o novo ciclo de investimentos, a companhia já havia se disposto a arranjar capital oriundo de um novo sócio. A busca ainda está em curso e pode estar relativamente perto de acontecer. O executivo não comenta o assunto, dizendo estar limitado por regras de confidencialidade, mas confirma que a busca está em processo e diz que ela é anterior e independente da conquista do projeto de Galeão.

A empresa, que já tem o FI-FGTS como sócio, com 30% de seu capital, é responsável por negócios como a Embraport (terminal privado de contêineres no porto de Santos), a SuperVia (rede de trens urbanos no Rio de Janeiro) e a Rota das Bandeiras (corredor de aproximadamente 300 quilômetros no interior de São Paulo que inclui a rodovia Dom Pedro I).

Dois grandes ativos entraram em operação neste ano e já começam a gerar caixa para a empresa e liberando novos investimentos. Um deles é o Embraport, com capacidade de movimentar 2 milhões de contêineres ao ano e previsão de faturar R$ 700 milhões até 2015. O outro ativo começou a operar este ano, com arrecadação de receitas, é a rodovia Rota dos Coqueiros (no Nordeste).