A OGX realizou ontem uma rodada de negociações com a Petronas para tratar da compra, pela empresa malaia, de 40% da participação da petroleira de Eike Batista nos blocos BM-C-39 e BM-C-40, na Bacia de Campos, onde está situado o campo de Tubarão Martelo. O Valor apurou que uma equipe de representantes da Petronas esteve na sede da OGX, no centro do Rio de Janeiro, para discutir o assunto.
As empresas tentam chegar a um acordo. No fim de agosto, o presidente da Petronas, Shamsul Azhar Abbas, afirmou que o pagamento inicial de US$ 250 milhões pelo negócio estava suspenso até que houvesse maior clareza em relação à reestruturação em exercício [da OGX].
O negócio foi travado por causa do impasse em outra operação envolvendo a OGX – a compra de 40% de participação da Petrobras no bloco BS-4, na Bacia de Santos. A operação foi retardada porque o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) exigiu mais informações das duas petroleiras. O negócio foi aprovado apenas no fim de agosto, com aplicação de multa de R$ 3 milhões à OGX.
Segundo uma fonte, Petronas e OGX mantêm as negociações em andamento e podem chegar a um acordo em breve. Não há, porém, um prazo para que a petroleira malaia faça o aporte previsto.
A Petronas deve pagar outros US$ 500 milhões à OGX quando o campo de Tubarão Martelo entrar em operação. A expectativa é que isso ocorra entre o fim deste ano e o início de 2014. A plataforma que irá produzir no local, a OSX-3, já está no Brasil vinda de Cingapura.
A negativa da Petronas em agosto foi considerada um balde de água fria nos planos de reestruturação financeira da OGX, que contava com os recursos para realizar o pagamento a fornecedores. A companhia, que está com o caixa debilitado, tem negociado com fornecedores a postergação do pagamento por bens e serviços.
O acordo com a Petronas é uma das três frentes nas quais a diretoria da OGX atua para reverter a grave situação financeira do grupo. As outras são o exercício da put (opção de aporte) de US$ 1 bilhão firmada pelo controlador da empresa, Eike Batista, e a renegociação da dívida de US$ 3,6 bilhões com credores estrangeiros.
O Valor apurou que a put foi exercida pela diretoria da petroleira na semana passada à revelia do empresário. Ao contrário do que circulou no mercado, a medida não seria uma manobra jurídica orquestrada por Eike, para postergar o pagamento até o vencimento, por meio de um processo na Câmara de Arbitragem do Mercado.
Na última sexta-feira, o empresário enviou carta à diretoria da OGX questionando o exercício da put. No entendimento de Eike, a opção só poderia ser acionada por membros independentes do conselho de administração da OGX.
Segundo uma fonte, porém, quando os membros independentes deixaram o conselho, em junho, eles assinaram documento delegando à diretoria o poder de exercer a put. Os membros do conselho eram os ex-ministros Pedro Malan (Fazenda), Rodolpho Tourinho (Minas e Energia) e Ellen Gracie (Supremo Tribunal Federal).
O Valor apurou que, desde que a diretoria exerceu a opção, o clima azedou entre os diretores da petroleira, o controlador da companhia e a Angra Partners, consultoria contratada por Eike para reestruturar o grupo EBX. Segundo uma fonte, a Angra tem buscado intervir nas decisões da OGX e pressionado o presidente da companhia, Luiz Eduardo Carneiro, a pedir demissão. O objetivo seria retirá-lo do comando sem evidenciar que sua saída teria relação com o exercício da put sem o aval de Eike.
A terceira frente de atuação da OGX é a renegociação da dívida de US$ 3,6 bilhões com credores internacionais. A empresa realizou ontem mais uma rodada de negociações com eles, em Nova York. A proposta consiste em transformar a dívida em ações da companhia. A interferência da Angra na OGX, no entanto, tem gerado ruídos que estão atrapalhando as negociações.
Apesar do risco iminente de que a companhia entre com pedido de recuperação judicial, a OGX ainda trabalha com a chance de êxito na negociação com credores, a Petronas e fornecedores. (Valor Econômico)