O aumento das exportações de óleo brasileiras estão fazendo o país ampliar presença no mercado asiático. A China, principalmente, tem aumentado as compras de petróleo do Brasil, de produções vindas de campos como Marlim, Roncador e Lula. De acordo com a Opep, duas estatais chinesas compraram 5 milhões de barris/dia para entrega em março.
A Opep acredita que o crescimento nas exportações brasileiras foi causado pela baixa no preço do WTI em relação ao Brent, o que torna os barris cotados em WTI mais competitivos. Além disso, a queda no consumo interno devido à recessão na economia brasileira também contribuiu para o aumento das vendas para o exterior.
“O aumento das exportações vêm em um momento de novos projetos no offshore do país, na região do pré-sal. (…) A previsão é que a produção total do país, incluindo GNL e biocombustíveis, aumente 26 mil boe/dia em 2017, chegando à média de 3,4 milhões de boe/dia, alta apoiada principalmente pelo aumento da produção do pré-sal”, explicou o cartel no Oil Market Report de março.
De acordo com dados do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços, em fevereiro o Brasil exportou 6,2 bilhões de toneladas de óleo, aumento de 94% em relação às 3,2 bilhões de toneladas do mesmo mês em 2016. O valor das exportações no mês passado totalizou US$ 2,1 bilhões, aumento de 304% sobre os US$ 519,9 milhões de fevereiro de 2016. O petróleo brasileiro foi negociado por US$ 332,93/t em fevereiro de 2017.
“A indústria de óleo se demonstrou como um dos bons setores da economia brasileira este ano em termos de investimento direto”, lembra o relatório ao citar a ampliação da participação de companhias estrangeiras no setor, como a Total.
Entretanto, a Opep acredita que as exportações brasileiras não devem manter a alta registrada no começo deste ano, devido à previsão para melhorias na economia do país, o que deve fazer o consumo interno aumentar. O próprio governo já espera uma mudança e afirmou no começo do ano que o preço do barril e o comportamento da economia brasileira podem fazer com que as importações de óleo brasileiras ultrapassem as exportações em 2017.
Alta na produção fora da Opep
O cartel aumentou a previsão para o crescimento da produção dos países de fora da Opep em 2017 em 16 mil boe/dia, devido às melhores perspectivas para as areias betuminosas do Canadá e para a produção dos Estados Unidos. Agora, a projeção é de uma alta de 40 mil boe/dia na produção fora do cartel no ano, que deve ficar na média de 57,7 milhões de boe/dia.
Dentro da Opep, fevereiro foi um novo mês de queda na produção por causa do acordo assinado no final de 2016 para diminuir a sobreoferta no mercado. No mês passado, o grupo produziu uma média de 31,96 milhões de boe/dia, queda de 14 mil boe/dia.
Ao mesmo tempo, no entanto, a organização revisou para cima a previsão de aumento da demanda global, prevendo uma alta de 1,26 milhões de barris/dia no ano e uma média total de 96,3 milhões de barris/dia. O aumento ocorreu devido às altas registradas no final do ano passado no consumo europeu e no Pacífico Asiático.