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Clippings - 03/07/26

Onip mira na internacionalização de fornecedoras brasileiras

A Organização Nacional da Indústria do Petróleo (Onip) está em conversas iniciais com representantes de países da África e da América do Sul para aumentar a presença de empresas brasileiras no exterior, informou Marta Lahtermaher, diretora-geral da Onip, em entrevista à Brasil Energia. Segundo Lahtermaher, África do Sul e Angola, especialmente, demonstraram interesse nos fornecedores do Brasil após a atuação da organização na última Offshore Technology Conference (OTC), realizada em maio deste ano em Houston, Texas (EUA).

“O estande da Onip na OTC deu uma visibilidade muito boa para a organização. Fomos procurados, principalmente, por representantes da África do Sul e de Angola, para inclusive participarmos de feiras de energia que vão ocorrer nesses países no segundo semestre de 2026. E estamos olhando também os mercados da Guiana, Suriname e Venezuela. Agora, estamos numa fase de levantamento das políticas de conteúdo local de cada um desses lugares”, explicou Marta. 

O objetivo é fornecer bens e equipamentos para o setor de O&G, desde o parafuso até sistemas mais sofisticados, dependendo da demanda. “Na Guiana, por exemplo, o conteúdo local, como hospedagem, ainda é prestado por serviços locais. Não existe uma indústria, e isso é um potencial para o Brasil. Já na África do Sul, a atuação é mais em nível de hub de empresas. Angola e Namíbia são outras duas oportunidades para o Brasil, uma vez que podemos oferecer tecnologias”, disse a executiva. 

Entre as empresas envolvidas, estão a Metroval, a Tent Engenharia, a WEG e a Romão Tecnologias. “São empresas não tão conhecidas do dia a dia, mas que são fornecedoras, brasileiras e que atuam no país todo, não somente no Rio de Janeiro”, afirmou Marta. “E a ideia é fazer essa abordagem via operadoras, uma vez que é mais fácil entrar num país novo tendo um parceiro local. Queremos saber o que essas operadoras estão contratando, e o que elas estão precisando”, detalhou. 

A internacionalização das empresas e o conteúdo local foram dois dos temas discutidos na primeira reunião do Comitê de Empresas da Onip, realizada no último dia 18/6 na Casa Firjan, no Rio de Janeiro (RJ). O Comitê foi criado há dois meses, com o objetivo de aproximar a organização das demandas das empresas. Além das companhias, o evento também contou com a presença de representantes da Petrobras, Transpetro e ANP. 

De acordo com o comunicado da ANP divulgado no dia 18/6, o diretor Pietro Mendes defendeu, durante a reunião, que o aumento dos índices de conteúdo local seja acompanhado de medidas capazes de elevar a competitividade da cadeia produtiva brasileira e integrar essa política às ações de inovação e desenvolvimento tecnológico. Ele destacou que a ANP possui ações prioritárias sobre o tema, como a regulação da cláusula de preferência, a integração regulatória entre conteúdo local e Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PD&I), e as normas para transferência de excedentes de conteúdo local.

Já a diretora Symone Araújo, também presente na reunião do Comitê, falou sobre a cláusula de PD&I, presente nos contratos de exploração e produção (E&P) de petróleo e gás e regulada pela ANP. Ela lembrou ainda que a resolução que regulamenta o tema (RANP nº 918/2023) está sendo revisada pela agência reguladora. “Essa revisão representa uma oportunidade para aperfeiçoar o ambiente regulatório dos investimentos em PD&I, com foco em simplificação, flexibilidade e orientação a resultados”, disse Araújo, ainda segundo o comunicado da ANP.

Fonte: Brasil Energia.