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Clippings - 11/03/20

Onshore em alerta

Mudanças na ANP geram apreensão e instabilidade na indústria

A ANP estuda transferir sua Coordenadoria de Áreas Terrestres (CAT) para a Superintendência de Desenvolvimento da Produção, dirigida por Marcelo Paiva de Castilho Carneiro. A mudança divide opiniões dentro da agência e é vista com preocupação pela indústria onshore, que já vinha baqueada pela notícia de desligamento de José Freitas do comando da CAT. 

Defensores da mudança argumentam que a nova organização trará mais coerência à estrutura organizacional da ANP, aproximando a CAT da área de produção. Já os críticos da proposta alegam que a alteração fará com que a pasta perca importância, podendo ameaçar até mesmo a existência da coordenadoria, que teria mais visibilidade se subordinado ao diretor-geral.

Na prática, a discussão sobre o rumo da Coordenadoria de Áreas Terrestres reforça mais uma disputa de poder na ANP, cujo clima interno na diretoria tem se mostrado quente nos últimos anos.

José Freitas foi trazido para comandar a CAT em março de 2017 por Décio Oddone, diretor geral da ANP. A decisão de deixar o cargo foi formalizada no início de março, motivada pelo pedido de demissão apresentado por Oddone ao governo em meados de janeiro.

Desde que assumiu a CAT, Freitas vinha participando ativamente dos principais grupos de discussão do mercado onshore. No final de fevereiro, o executivo foi nomeado, junto com Alex Garcia Almeida, também da ANP, para assumir as vaga de representante da agência no comitê do Reate 2020.

Desde a saída de Freitas, a CAT está sem comando, nem mesmo em caráter interino. A tendência é que o cargo permaneça em aberto até que o futuro da área seja definido.

Outro fator que retarda um desfecho para o caso está relacionado à demora na indicação dos substitutos de Décio Oddone e do diretor Aurélio Amaral, cujo mandato expira no final de março. Com isso, a ANP enfrenta uma espécie de interinidade forçada, o que acaba afetando algumas decisões internas.

No momento, o comitê do Reate 2020 está sem representantes da ANP. Além da vaga de Freitas, a agência perdeu o assento originalmente destinado a Alex Garcia, nomeado no início de março para o cargo de coordenador de licenciamento ambiental do Ibama.

Na segunda-feira (9/3), a ONIP e a Abpip divulgaram uma nota alertando para o problema. No comunicado, as  entidades destacam a importância de ter um interlocutor que entenda as necessidades dos agentes e possa trabalhar internamente o tema.

Para o secretário-executivo da Abpip, Anabal dos Santos Júnior, a mudança representa um retrocesso.  Karine Fragoso, diretora geral da Onip, destacou que as iniciativas recentes da organização e do governo buscam fortalecer a atividade onshore, não apenas com foco no segmento de E&P, e que a mudança pode afetar o ritmo das discussões na ANP.

Fonte: Revista Brasil Energia