Organização dos Países Exportadores de Petróleo situa o país ao lado dos EUA, Rússia e Reino Unido
O Brasil se consolidará como um dos principais produtores globais de petróleo nos próximos anos, afirma a Opep em seu mais recente relatório mensal. Segundo a organização, o país impulsionará o crescimento da produção mundial fora do cartel, junto aos EUA, Rússia, Reino Unido. Para 2019, a oferta de petróleo não-OPEP terá acréscimo de 2,18 milhões b/d, atingindo média de 64,34 milhões b/d.
A produção de petróleo bruto no Brasil saltou para 2,67 milhões b/d em dezembro de 2018, a mais alta desde junho de 2017. A descoberta de grandes reservas, especificamente no pré-sal, aliada aos planos de investimento das principais petroleiras e o baixo custo de exploração por barril e eficiência operacional criam um ambiente perfeito para o aumento da produção, de acordo com a Opep.
Entre as razões destacadas pela organização para o crescimento brasileiro em 2018 estão o início da produção do campo de Tartaruga Verde, em águas profundas da Bacia de Campos, e o fim de atividades de manutenção nos campos de Marlim e Sapinhoá em dezembro.
A produção de petróleo poderá aumentar substancialmente em 2019 com o ramp-up da expansão sul do campo de Lula (P-69) e o início da produção de Berbigão e Sururu (P-68) e Lula Norte (P-67), informa o relatório.
O Brasil exportou 1,12 milhão de b/d (cerca de 40% da produção), em 2018, aumento de 13,3%, em comparação com o ano anterior, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior. Os principais compradores foram a China (56,5%), EUA (11,9%) e Chile (8,43%).
A Opep ressalta ainda que a economia brasileira deve crescer 1,8% em 2019 e que a possibilidade da realização de reformas estruturais pelo novo governo é um sinal positivo.
Demanda
A demanda brasileira por petróleo foi ampliada em 60 mil bopd em dezembro de 2018, registrando média de 2,65 milhões b/d. No acumulado do ano, a demanda ficou estável, com ganhos no consumo de etanol e destilados médios sendo compensados por baixas na demanda por gasolina e óleo combustível.
Venezuela
Uma questão potencialmente favorável ao mercado de óleo e gás do Brasil é a instabilidade na Venezuela. As sanções impostas pelos Estados Unidos contra a Venezuela dificultarão a exportação de óleo da PDVSA ao país, o que poderia gerar oportunidades para o petróleo brasileiro.
A petroleira estatal acumula uma brusca queda de produção nos últimos 20 anos, de 3,4 milhões b/d para 1,3 milhão b/d. Esse cenário poderá afetar a operação de refino no Golfo do México, historicamente usuária do petróleo venezuelano, assinalou a Energy Information Administration (EIA), em relatório publicado nesta quarta-feira (13/2).