A diretoria da Petrobras é favorável a uma mudança na legislação que permita a empresa recusar a exclusividade da operação dos contratos de partilha da produção no pré-sal, de acordo com o conselheiro da companhia, Deyvid Bacelar. O sindicalista atacou, nesta segunda-feira (29/6), as diretrizes do Plano de Negócios 2015-2019 da Petrobras.
Durante a apresentação do plano, feita hoje à noite na sede da companhia, o presidente da Petrobras, Aldemir Bendine, ao ser questionado sobre sua posição em relação à operação única, afirmou que decisões sobre o modelo regulatório cabem, exclusivamente, ao Estado.
Bendine também ponderou que o pré-sal receberá a maior parte dos investimentos da companhia, mas no momento não há preocupação quanto a entrada em novas áreas de partilha, pois não há previsão de leilões.
“Óbvio, a empresa tem o máximo interesse na participação da exploração do pré-sal. Não tenha dúvida que o interesse da Petrobras permanece muito forte na exploração do pré-sal. A forma que se dará isso, o Estado decide”, afirmou Bendine.
Deyvid Bacelar defendeu a manutenção da atual Lei de Partilha em comunicado publicado na sua página pessoal, no qual também disse que as discussões na reunião do Conselho de Administração na sexta-feira (26/6) são um sinal de a “estatal vive provavelmente a maior ameaça de desintegração dos últimos 15 anos”
” Todas as alternativas colocadas pela FUP para financiamento da empresa – desoneração tributária, tomada de recursos com pagamento de óleo – foram prontamente refutadas e ignoradas pela Diretoria da empresa. Além disso, a posição da Diretoria em relação à alteração da lei do pré-sal – proposta pela oposição tucana – é que seja inserida na lei o direito de recusa da Petrobrás em adquirir os 30% das exploração do campo do pré-sal, ou seja, a empresa também concorda que possa abrir da sua exploração em certas situações”, comentou.
O sindicalista criticou o programa de desinvestimento, a foco da companhia em E&P, com a descontinuidade de operações em petroquímica, distribuição e logística e o que classificou como “afastamento do papel social da Petrobras”.