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A pandemia do novo coronavírus (Covid-19) e o colapso nos preços do petróleo vêm impactando petrolíferas ao redor do mundo com quedas de receitas e diminuição na produção. Apesar de já sentir esses efeitos, operadoras estrangeiras que atuam no Brasil, afirmam que, até o momento, estão mantidos todos os cronogramas de atividades exploratórias e de perfuração no país. Para isso, as empresas afirmaram que estão cumprindo com as medidas preventivas de saúde para proteger os funcionários e evitar a paralisação na produção.
De acordo com a Equinor, a estratégia de investimento no Brasil até 2030 continua sem alteração, assim como o calendário para os projetos de desenvolvimento. As atividades serão mantidas mesmo depois de a empresa ter divulgado na última quinta-feira (07), um prejuízo líquido global de cerca de 710 milhões de dólares no primeiro trimestre deste ano.
Apesar desse resultado negativo, a operadora afirmou que manteve uma projeção de longo prazo que aponta um crescimento médio de 3% por ano na produção entre 2019 e 2026. Isso depois de ter registrado uma produção recorde de 2,23 milhões barris de óleo equivalente por dia no trimestre.
Ainda sobre os resultados globais, a Equinor anunciou no final de março uma redução no Capex em 2020 em cerca de 20% (de 11 bilhões para cerca de oito bilhões de dólares). Também anunciou que estava reduzindo a atividade de exploração este ano de cerca de 1,4 bilhão para cerca de um bilhão dólares. Além disso, vem planejando reduções nas despesas operacionais em torno de 700 bilhões de dólares.
Outra operadora que também anunciou continuidade nas atividades no Brasil, apesar da pandemia, foi a Shell Brasil. A operadora garantiu que até o momento, os serviços de exploração e perfuração seguem conforme o planejamento. Ela informou que a sonda Brava Star, operada pela Constellation, ao final das atividades em Gato do Mato, seguirá para o Bloco de Saturno, onde será executada a primeira perfuração de poço.
A Shell afirmou ainda que as duas plataformas em ativos operados pela companhia, na Bacia de Campos, operam normalmente, porém, com medidas sanitárias adicionais para garantir segurança de seus tripulantes. Entre eles estão o distanciamento social, anamnese pré-embarque, com o objetivo de restringir a circulação de pessoas, minimizar o risco de contaminação a bordo e a disseminação do coronavírus. “A prioridade é proteger a saúde de todos os trabalhadores offshore e das pessoas que residem onde são realizadas as operações”, destacou. Apesar de adotar todas essas medidas, a companhia informou que não tem casos confirmados nas instalações no Brasil.
Já a Equinor confirmou casos de trabalhadoras contaminados no Brasil, embora também afirme que vem cumprindo com as medidas preventivas. A empresa disse que todos os casos confirmados foram desembarcados. Desde março, a Equinor adota medidas para evitar a contaminação offshore que, atualmente, incluem períodos de observação antes da partida em um hotel com testes, anamnese e medição de temperatura para funcionários e contratados.
Além disso, foram estabelecidas novas rotinas e procedimentos a bordo, com intensificação da limpeza e desinfecção; desmobilização de trabalhadores não essenciais e realocação de trabalhadores em cabines com no máximo uma pessoa por turno, entre outros procedimentos.
A respeito do adiamento da 17ª rodada de licitação de áreas pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), a Shell Brasil afirmou que compreende a decisão, visto o atual momento pelo qual o mundo atravessa. A empresa disse, porém, que independente do adiamento os investimentos no Brasil são condicionados por um estudo “aprofundado” que leva em conta inúmeros fatores e, acima de tudo, segue as premissas de disciplina do capital da companhia. A Shell destacou que participou de todos os leilões da ANP desde a abertura do mercado, mas sempre dentro dessa mesma avaliação.
Procuradas pela reportagem da Portos e Navios, a Chevron e a ExxonMobil preferem não falar sobre o assunto no momento.
Fonte: Revista Portos e Navios