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Clippings - 25/09/13

Operadores festejam os avanços do setor de cabotagem

Por Jefferson Klein

Apesar de fazer mais de 500 anos que as primeiras naus visitaram a costa do Brasil, o litoral do País ainda é subutilizado se for analisado todo o seu potencial logístico. No entanto, a perspectiva é de que esse cenário mude, e vários empreendedores envolvidos com a prática da cabotagem (tráfego marítimo na costa do País) esperam a aceleração do desenvolvimento desse modal.

Segundo dados da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), a navegação de cabotagem vem crescendo no Brasil. Entre cargas soltas, conteinerizadas e granéis líquidos e sólidos, em 2010 esse meio movimentou em torno de 130,7 milhões de toneladas. Em 2011, o resultado foi de cerca de 133,2 milhões de toneladas, e no ano passado o volume subiu para aproximadamente 138,6 milhões de toneladas. Do total movimentado em 2012, cerca de 77% do volume era composto por combustíveis, óleos minerais e produtos afins.

Apesar de já registrar incremento, as expectativas são muito mais elevadas com o modal. “Finalmente, vai prosperar”, projeta o diretor comercial do Tecon Rio Grande, Thierry Rios. O executivo baseia sua percepção, primeiramente, no aquecimento do mercado interno brasileiro. Outro fator destacado pelo dirigente é de que muitas cargas que são transportadas hoje por caminhões estão migrando para a cabotagem, como, por exemplo, arroz e móveis. “Nesses últimos três anos, o arroz tendeu fortemente para a cabotagem e é uma operação afirmada”, comemora o representante do Tecon.

O modal representa 14% da movimentação total de contêineres cheios do Tecon. Em 2012, o terminal operou, devido à cabotagem, 26.690 contêineres. No primeiro semestre de 2013, houve um crescimento de 17% em relação ao desempenho do mesmo perãodo de 2012, e Rios projeta uma alta semelhante para o ano inteiro. Entre as principais cargas que utilizam esse transporte e que passam pelo Tecon, estão arroz, resinas, móveis e madeira.

Rios ressalta que uma oportunidade recentemente aberta deve-se à nova lei dos caminhoneiros, que limitou o horário de trabalho desses profissionais e acabou onerando o transporte rodoviário. Na contramão desse panorama, a cabotagem cada vez se estrutura mais. O diretor comercial do Tecon lembra ainda que os tamanhos dos navios aumentaram, o que reduziu os custos do transporte de cargas. “Sem falar na questão da baixa emissão de CO2, de ser um modal de maior sustentabilidade”.

O executivo afirma que os principais destinos da cabotagem, a partir do Rio Grande do Sul, são as regiões Norte e Nordeste. Essa característica deve-se ao fato de que o Sudeste, por ser mais próximo, atrai as cargas movimentadas por caminhões. O diretor do Tecon recorda que a cabotagem ganha competitividade nas grandes distâncias, mas perde nas mais curtas. O Estado é mais embarcador de cargas de cabotagem. Ou seja, para esse modal se desenvolver no Estado, o ideal seria atrair cargas também. Rios adianta que já há ideias de trazer cargas da Zona Franca de Manaus pela costa até o Sul, ao invés de parar em São Paulo, para depois fazer a distribuição. Na região Sul, enfatiza o diretor do Tecon, o Rio Grande do Sul é o estado que apresenta o maior volume de movimentação por cabotagem, superando Santa Catarina e Paraná.

Além disso, a posição gaúcha é estratégica. Rios diz que praticamente todos os armadores de cabotagem, operam no Uruguai, Argentina e Brasil. “A gente chama isso de ‘grande cabotagem’, que é muito utilizada”, afirma. Nesse contexto, justifica-se a realização do 3º seminário sobre cabotagem, que será promovido no dia 6 de novembro pelo Tecon e pela Fiergs, em Porto Alegre, na sede da Federação das Indústrias. O objetivo é demonstrar os progressos do modal e como esse transporte pode ser competitivo para as indústrias locais que ainda não o empregam.