A OSX perdeu o contrato de construção, no Porto do Açu, de duas sondas de perfuração do pré-sal, num custo aproximado de US$ 1,6 bilhão. Segundo fonte Ugada ao processo, a negociação com a gestora Sete Brasil não foi adiante por interferência da Petrobrás, que não estaria interessada em sua execução.
Uma das duas sondas inicialmente negociadas com a OSX foi contratada noestaleiro Jurong, de Cingapura, que constrói uma planta no Espírito Santo e já tinha outras seis sondas encomendadas. A segunda continua sem contrato, mas deixou de ser negociada com a OSX há tempos.
Não saiu e não foi por falta de vontade da Sete, disse uma das fontes. A Petrobrás também interrompeu os planos da Sete Brasil de entrar no mercado de barcos de apoio e plataformas flutuantes (FPSOS). A estatal recentemente intensificou o afretamento (aluguel) dessas embarcações com empresas estrangeiras.
As duas sondas representariam cerca de 20% da carteira de contratos da OSX, hoje de aproximadamente US$ 8 bilhões. O grupo de Eike Batista negociou os dois equipamentos por longos meses com a Sete Brasil -gestora que tem a Petrobrás, fundos de pensão e bancos privados como acionistas.
A OSX também chegou a negociar no ano passado outras cinco sondas com a gestora Ocean Rig e se candidatou para .absorver encomendas doEstaleiro Atlântico Sul (EAS, Pernambuco), com problemas de atraso em projetos. Mas essas negociações também naufragaram. A Petrobrás cancelou em novembro passado o contrato com a Ocean, por não precisar das cinco sondas adicionais. O grupo de Eike, que chegou a cogitar um lote de até sete sondas (mais de US$ 5 bilhões), acabou sem nenhuma na carteira.
A Sete nega. Em nota, diz que não há divergência com acionistas e que mantém interesse na contratação de duas sondas com a OSX. Fonte ligada ao Jurong confirma o contrato já fechado. A OSX diz que as sondas não estão em seu portfolio, e se diz atenta a novas oportunidades de negócio visando à expansão da sua carteira de encomendas e clientes.
A Sete será a dona das sondas, tirando este peso do balanço da Petrobrás, mas também do controle da estatal. A Sete investe, contrata estaleiros para construção e depois afreta as sondas à Petrobrás por uma taxa diária na casa do meio milhão de reais, cada. A Sete Brasil tem em seu portfólio 30 ondas, um investimento de mais de US$ 25 bilhões, 28 com contrato de afretamento de longo prazo (15 anos) com a Petrobrás.
As duas últimas serão afretadas a outras petroleiras com contratos de curto prazo (três a cinco anos) no mercado spot (à vista). Em entrevista coletiva no início de 2012, o presidente João Carlos Ferraz informou que estava negociando a 29a e 30a sondas para serem construídas no estaleiro do Açu.
O contrato da 29ª sonda da Sete foi fechado com o Jurong quando a gestora percebeu que o EAS atrasaria a entrega de em comendas. A Sete chegou inclusive a suspender temporariamente o contrato com o estaleiro pernambucano, na virada de 2011 para 2012. 0 EAS tem sete sondas contratadas com a Sete.