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Clippings - 01/11/13

OSX pode pedir recuperação judicial

Valor Econômico – 01/11/2013

Por Elisa Soares e Talita Moreira | Do Rio e de São Paulo

A OSX, empresa de navegação do empresário Eike Batista, reconheceu, ontem, que pode vir a exercer seu direito legal à recuperação judicial, seguindo o mesmo caminho de outra companhia do grupo, a OGX, que entrou com pedido na quarta-feira. Em documentos enviados a Comissão de Valores Mobiliários (CVM), a empresa admitiu que se prepara para o que chama de eventualidade, mas acrescentou que segue trabalhando normalmente em seus negócios, nas diversas frentes de diálogo que mantém em curso simultaneamente, visando avançar em suas iniciativas de reestruturação, incluindo potenciais combinações empresariais.

De acordo com a OSX, o direito a recuperação judicial será exercido caso a administração verifique ser esta a medida mais adequada para a preservação da continuidade de seus negócios e a proteção dos interesses da OSX e dos interesses dos ’stakeholders’, conforme o comunicado.

Na visão de uma pessoa que acompanha o assunto, mesmo que a OSX tenha ativos para vender, é inevitável que caminhe para a recuperação judicial. O grande problema, segundo essa fonte, é que a OSX não tem caixa suficiente para se manter até que a venda de suas três plataformas seja concluída. A companhia já tem atrasos nos pagamentos a fornecedores.

Até agora, a OSX tem conseguido um entendimento com seus credores financeiros – bancos e detentores de bônus emitidos pela empresa. O estaleiro pediu tempo a eles enquanto tenta vender as plataformas, alegando que o dinheiro que tem a receber por elas seria suficiente para quitar as dívidas com os agentes que financiaram a construção dessas unidades e ainda sobraria US$ 1 bilhão.

Porém, controlar os ânimos dos fornecedores – um grupo bem mais pulverizado e menos uniforme – tende a ser mais difícil, afirma esse interlocutor.

O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho afirmou que a decisão de prorrogar novamente o vencimento do empréstimo-ponte do banco à OSX era uma estratégia que fazia sentido. O montante do empréstimo é de R$ 418 milhões, com vencimento original para agosto, e que já havia sido prorrogado até o fim de outubro. O novo prazo é até o fim deste mês. Quando perguntado, o executivo evitou comentar sobre possibilidade de postergar novamente o pagamento.

O valor dos ativos [da OSX] supera sua dívida. Acredito que pode ter solução, então dar mais tempo é uma estratégia que faz sentido, disse Coutinho, afirmando que é preciso estar atento quando há perspectiva de solução.

Em relação a OGX o executivo disse que o pedido de recuperação já era um fato esperado. Não havia outra saída, uma vez que não se obteve sucesso nas negociações com os credores.

Quando perguntado sobre os possíveis impactos da situação da petroleira no mercado de capitais, o presidente do BNDES afirmou que o processo já foi digerido. É uma situação que já vem de vários meses, e não foi novidade para o mercado. Faz parte do jogo, respondeu o executivo.

Nitidamente cansado de responder perguntas sobre o grupo X, o presidente do banco de fomento tornou a mencionar que a exposição remanescente do banco em relação as empresas do conglomerado é muito baixa. Coutinho disse também que todas as liberações têm fiança bancária. Nossa exposição remanescente é por volta de R$ 500 milhões.

Desde 2003 o BNDES aprovou crédito aproximado de R$ 10 bilhões para as empresas do grupo X, dos quais R$ 6 bilhões chegaram a ser liberados. Deste montante, um pouco mais de R$ 4 bilhões foram destinados a ativos já vendidos. Nesses casos o compromisso de pagamento foi também transferido para os novos investidores.