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Clippings - 28/08/19

Ouro negro amazônico

A Amazônia está no centro das atenções. Sob pressão da comunidade internacional, o presidente Jair Bolsonaro reluta em aceitar recursos financeiros do G7 para auxiliar o combate aos incêndios que assolam a maior floresta tropical do planeta. “Quem é que está de olho na Amazônia? O que eles querem lá?”, questionou, diante de jornalistas na segunda-feira (27/8).

A preocupação do comandante em chefe brasileiro com a soberania do país sobre a Amazônia não é de hoje. Quando deputado, Bolsonaro já chamava atenção para essa questão, mas com foco na “ameaça norte-americana”. Hoje voltado aos europeus, seu discurso ganhou um importante combustível após o presidente francês, Emmanuel Macron, afirmar que o debate sobre a internacionalização da Amazônia está em aberto.

Pode-se discutir se Bolsonaro se apropria dessa linha de argumentação com fins retóricos (vale lembrar que, no início da crise, o presidente insinuou que ONGs supostamente ligadas a interesses estrangeiros estariam por trás do aumento dos incêndios na Amazônia). Mas o fato é que a região abriga riquezas de enorme valor e importância geopolítica, como água doce e petróleo.

Enquanto a bacia hidrográfica do Amazonas se apresenta como potencial candidata a figurar no âmago de disputas internacionais em um futuro talvez não muito distante, a competição pelo petróleo da região já é uma realidade. Hoje, 19 empresas detêm participação em blocos exploratórios  e/ou áreas marginais em bacias sedimentares localizadas em estados que compõem a chamada “Amazônia Legal”.

O grupo é formado por sete petroleiras brasileiras (Enauta, Petrobras, PetroRio, Eneva, Ouro Preto Óleo e Gás, Espigão Petróleo e Gás e Oeste de Canoas Petróleo e Gás) e 12 estrangeiras (BP energy, Shell, Total, Chariot, Mitsui E&P, PTTEP, ONGC, Galp, Sinopec, JX Nippon O&G Exploration, Rosneft e Ecopetrol).

Dos 52 ativos em questão, 35 são operados por petroleiras estrangeiras, com destaque para a  russa Rosneft, que opera 13 blocos no Solimões, e a anglo-holandesa Shell, dona de dez ativos em Barreirinhas. Dentre as brasileiras, a Petrobras é a que opera o maior número de blocos: sete no total.

Fonte: Revista brasil Energia