As obras de infraestrutura do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), da Copa do Mundo e das Olimpíadas, em 2014 e 2016, respectivamente, estão impulsionando o transporte marítimo de aço para a industrialização, especialmente na subida para a Zona Franca de Manaus, onde estão concentradas diversas fábricas. Depois de beneficiada, a carga desce para as regiões Sul e Sudeste.
Em entrevista ao Guia Marítimo, a Amazon Aço Indústria e Comércio revela que aumentou em 900% os volumes no tráfego de cabotagem a partir de Manaus. A empresa localizada na ZF importa aço de mercados como a Rússia, Coreia, China, México e Estados Unidos para beneficiamento e posterior venda de bobinas, chapas e tubos no mercado interno.
Nos primeiros meses de operação da fábrica – inaugurada em 2008 – os embarques eram da ordem de 300 toneladas semanais para o Sul e Sudeste. Aproximadamente um ano depois, chegaram a 2 mil toneladas. Fechou 2009 com cerca de 3 mil toneladas. Os volumes crescem literalmente semana a semana, destaca o gerente industrial, Rodinei de Oliveira. Estamos buscando mercado e ampliar a presença.
Hoje, 100% do que a Amazon transporta vai de navio e em contêiner – a empresa atua com a Aliança Navegação e a Mercosul Line. As rotas são: de Manaus para Belém, São Paulo (destino de 40% das cargas), Recife, Porto Velho e Rio de Janeiro (e daí para Belo Horizonte, por acessos terrestres).
Outra empresa localizada na Zona Franca de Manaus que também utiliza cabotagem no transporte de aço é a Fermazon Ferro e Aço do Amazonas. A carga é comprada da Arcelor Mittal e da Gerdau. No primeiro caso, o aço é transportado de barcaça e rodovia até Manaus. Já os carregamentos da Gerdau sobem para o Norte de navio, a partir do Porto de Santos. São cerca de 25 a 30 toneladas por mês nesse trajeto.
Os carregamentos de aço aumentaram entre 30% e 35% entre o meio de 2009 e o final do ano já em razão da Copa e também por conta do polo de construção civil em Manaus. Várias construtoras do Sul e Sudeste estão instaladas aqui, afirma o assistente de Logística da Fermazon, Rodolfo Barroso. Em condições normais, o crescimento percentual a cada seis meses fica em torno de sete pontos.
De acordo com o governo federal, os recursos para a Copa de 2014 devem bater na casa dos R$ 21,8 bilhões. Só no setor portuário, o aporte federal para dotar os principais complexos de capacidade para receber turistas será de R$ 700 milhões. O Rio de Janeiro ficará com a maior parcela – R$ 300 milhões do total.